A vida de Lídia Franco

por , 18 Março, 2019

No palco da vida, a atriz conta já com uma carreira longa, e 75 anos de histórias e paixões. Em mês de aniversário – o nosso e também o dela – Lídia deixou que entrássemos em cena, e que a conhecêssemos melhor.

POR Margarida Menino Ferreira | realização Carolina Freitas | fotografia Gonçalo Claro assistido por Henrique Gonçalves | maquilhagem Lea Magui Louro | cabelos Cristina Rodrigues

CRISTINA – Lídia, são quase 75 anos de vida, e está cada vez mais bonita. Nunca teve medo de envelhecer?

Lídia Franco– Obrigada. Não, por acaso até tive sempre a mania de avançar na minha idade. Dizia sempre ‘já tenho quase…’. Agora já tenho quase 75. (Risos)

C.– Trata mais de si hoje, ou quando tinha vinte anos?

L.F.– Talvez hoje.

C.– De que forma é que cuida de si?

L.F.– Para já, tentando aproveitar melhor o tempo. É claro que, com a minha idade, é ainda mais necessário procurar, entre os produtos de beleza que todas nós usamos, aqueles que são mais adequados para a minha idade. E sobretudo não deixando de trabalhar, que, no meu caso, não é bem um trabalho, é uma forma de estar na vida, ser-se atriz. É fundamental. Das coisas principais para qualquer ser humano é nunca parar de fazer aquilo que gosta. Se, por acaso, anteriormente na sua vida parece que não teve assim tanta oportunidade de descobrir, e escolher fazer aquilo de que gostava, nunca é tarde. Por exemplo, hoje em dia, uma das minhas grandes paixões, além do meu neto. (Lídia sorri). Eu quando penso sobre ele, sem querer, sorrio, mas o sorriso também fica bem na imagens. (Risos). Mas é, por exemplo, dar aulas, fazer coachparticular, dirigir atores, encenar espetáculos, tudo isto além de interpretar. E isso, juntamente com os cuidados de saúde e de beleza adequados à minha idade, talvez me ajudem agora a gostar que me achem bonita. Quando era nova e me achavam bonita, eu não achava tanta graça, porque queria ser mais do que isso.

C.– Ser bonita, na sua idade, tem outra conotação?

L.F.– É isso, eu não diria melhor. (Risos)

C.– Teve uma vida feliz, Lídia?

L.F.– Tive momentos de felicidade, como toda a gente. Só um tontinho é que está sempre a fazer de conta que está feliz. Aliás, é como tudo. Nós para sermos felizes, nos momentos mais felizes, temos de experimentar os outros, e tentar aproveitá-los para aprendermos a viver um pouco melhor, conhecermo-nos melhor, conhecermos melhor os outros, sabermos pôr-nos melhor no lugar dos outros. No fundo, isso é uma forma de amor, e que forma melhor de viver, e de beleza, que o amor?!

C.– Nunca ponderou parar para descansar?

L.F.– Não. Tal como lhe dizia, se eu parar o meu trabalho, aí então é que é fatal para mim. No entanto, por exemplo os atores precisam de se reciclar, de descansar, porque trabalham muito. Precisam para se melhorarem na sua arte. Portanto, seria bom se, no nosso país, nós pudéssemos fazer isso. Aproveitar essas pausas para estudar mais, para aprofundar mais, para viajar. Por vezes isso não nos é possível.

C.– Que memórias ficaram da sua infância?

L.F.– O cheiro da maresia, o cheiro da maresia. No fundo, as memórias principais, então para um ator, são as sensoriais, não é?! E eu recordo-me sempre, tinha mais ou menos três anos, foi na praia do Estoril que eu cheirei, pela primeira vez, a maresia. Não sei se hoje em dia ainda há esse cheiro naquela praia. (Risos) Mas, de facto, são certos sons, certas músicas, certos odores, certos paladares. Eu sempre gostei muito de comer.

C.– A que é que sabe a sua infância?

L.F.– A infância sabe a miminho.

C.– Antes de ser atriz, a Lídia foi também bailarina clássica. O que é que os tempos de balletlhe ensinaram, que guardasse para a vida?

L.F.– A disciplina, sobretudo porque, no meu tempo, só havia balletclássico no nosso país. Eu não era uma jovem muito disciplinada, e uma das coisas que adquiri no balletfoi a disciplina, que hoje em dia me é indispensável no meu trabalho.

 

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