“Acho que desafiei a sorte.”

por , 15 Setembro, 2018

Pela altura em que esta revista for publicada, Rita já estará a fazer a diálise peritoneal, e estará perto do topo da lista de espera, para transplante de rim e pâncreas. Soube que tinha doença renal crónica aos 18 anos, e teve de reaprender a andar e a escrever aos 26 anos, depois de um AVC isquémico. Com 39 anos, a Rita é um exemplo de força e coragem, de quem luta, todos os dias, por uma vida melhor.

Por: Margarida Menino Ferreira | Fotografia: João Paulo | Styling: Carolina Freitas

CRISTINA – Rita, obrigada por estar aqui. Durante toda a vida, teve vários sustos e complicações a nível de saúde. Ainda assim, é uma mulher feliz?

RITA MARTINS – Sim! Nem sequer me lembro como é viver sem a diabetes.

C. – Que idade tinha quando percebeu que tinha essa doença?

M. – A diabetes foi-me diagnosticada aos nove anos.

C. – Aos nove anos a Rita tinha noção do que era a doença, e de que a ia acompanhar para o resto da sua vida?

M. – Não tinha noção nenhuma. Não tinha noção de que era uma doença para toda a vida, até me dizerem que não ia morrer da diabetes, mas ia morrer com a diabetes.

C. – Conseguiu, ainda assim, ter uma infância feliz e normal, com as habituais brincadeiras de criança?

M. – Sim, foi uma infância normal. Há trinta anos pouco se falava desta doença e, nos primeiros anos, a doença não era visível, não se notava. As consequências da diabetes só começaram a aparecer depois.

C. – E essas consequências começaram a aparecer na adolescência.

M. – Sim.

C. – Como é que a doença começou a manifestar-se?

M. – Apesar de ter as consultas de rotina obrigatórias, durante aquela fase da adolescência faltei várias vezes, e nem sempre fazia as coisas devidamente. Quando terminei o 12º ano, quis estudar enfermagem. Tentei entrar no curso, e, para isso, eram pedidos alguns pré-requisitos, entre eles, exames médicos. Assim que fiz os exames, soube que tinha doença renal crónica, mas numa fase ainda pouco avançada. Só aí tive noção de que a diabetes já estava a fazer estragos.

C. – Mas foi aos 26 anos que a Rita sofreu um grande susto.

M. – Sim. Aos 26 anos sofri um AVC isquémico. Um dia acordei, e não mexia o lado direito do meu corpo.

C. – Que recordações ficaram dessa altura?

M. – Lembro-me de estar cinco semanas internada na ala de neurologia. Tive de reaprender a andar, a escrever. Foram muitos meses de reabilitação e terapia ocupacional. Passado um ano e meio já quase não se notava.

C. – Com essa idade, onde foi buscar forças para fazer tudo isso?

M. – Por ter mesmo 26 anos, é que tinha de dar tudo, porque sabia que ainda tinha muito tempo pela frente, e não podia ficar com os movimentos limitados.

C. – É uma mulher de fé, Rita?

M. – Sou, sim.

 

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