«A Agente Vermelha» | Jennifer Lawrence e o olhar sedutor sobre a espionagem

por , 27 Fevereiro, 2018

Jennifer Lawrence veste a pele de uma misteriosa e sensual espia russa que usa a sua sexualidade como arma de sedução. O filme “A Agente Vermelha” é um thriller sobre o mundo obscuro da espionagem no período da Guerra Fria. A mais recente longa-metragem da 20th Century Fox estreia esta quinta-feira, 1 de Março nos cinemas.

Por: Diogo Marques

É inegável que 2017, foi um ano de mudança na indústria cinematográfica. As mulheres afirmaram-se em diversas áreas – realização, escrita, interpretação -, o que resultou num maior número de interessantes narrativas femininas. Exemplo disso foram os filmes “Mulher- Maravilha e “Atomic Blonde, duas longas-metragens de ação onde o enredo se centra em duas fortes protagonistas, incorporadas por Gal Gadot e Charlize Theron. E 2018 não será diferente.

Depois do desempenho na controversa alegoria bíblica, “Mãe!”, Jennifer Lawrence está de regresso ao grande ecrã com “A Agente Vermelha”. Com sotaque russo e mais implacável do que nunca, a actriz interpreta a bailarina Dominika Egorova que é recrutada pela SRV – os serviços secretos russos- para integrar a State School 4, um lugar dirigido pela “Matrona” (Charlotte Rampling), que treina jovens para serem espiões que utilizam o seu corpo e sexualidade como uma arma. No entanto, os planos da sua primeira missão entram em conflito com os interesses do seu primeiro alvo, Nate Nash, um agente da CIA.

A história deste filme de espionagem, que volta a reunir Jennifer Lawrence com o realizador da trilogia “Os Jogos da Fome”, Francis Lawrence, poderá parecer pura ficção, mas não é. O argumento é baseado no livro homónimo escrito por Jason Matthews, um ex-agente CIA, o que confere a esta narrativa de Hollywood um simulacro de realismo e autenticidade.

Numa tentativa de revisitar os thrillers da Guerra Fria, da década de 60 e 70, “A Agente Vermelha”, explora as desagradáveis (e ainda atuais) relações entre Estados Unidos da América e Rússia. Com alguma ação, mas principalmente baseado na intriga, este é um filme ambíguo com uma protagonista igualmente ambígua.
Ao interpretar Dominka, uma femme fatale enigmática, Lawrence, tal como sucedeu em “mãe!”, prova ser uma atriz sem receios: com algumas das cenas mais desarmantes da sua carreira, repletas de erotismo e nudez integral – opções criativas corajosas dado o atual clima político.

Ancorado na performance de Jenniffer Lawrence, “A Agente Vermelha” conta ainda com atores de renome como Jeromy Irons, Charlotte Rampling e Mary Louise Parker. Contudo, esta película peca pela sua longa duração (2h19 minutos !) – com cenas desnecessariamente longas, que servem apenas para perpetuar a tensão dramática – e pelo confuso arco das suas personagens.

No entanto, é preciso destacar o meritório trabalho de fotografia de Jo Williams e a banda sonora de James Newton Howard, que tornam os 10 minutos iniciais tão envolventes.

Apesar de elementos sólidos e um elenco de luxo, “A Agente Vermelha” apresenta uma história cativante à superfície, mas confusa em profundidade. Um filme que se perde nas intrigas da sua própria história.

 

CLASSIFICAÇÃO: 3/5

 

  • Comentários

    Artigos relacionados