A arte de BORDALO II

por , 3 Novembro, 2017

“ATTERO” é a primeira grande exposição em nome próprio do artista que tem conquistado muitos admiradores.

Por: Xavier Pereira

A mostra estará patente na zona do Beato, em Lisboa, e tem entrada livre. Em declarações ao nosso site, o artista que, com o seu nome quer homenagear o avô – o pintor Real Bordalo – desvenda um pouco sobre o que estará patente nesta mostra.

Está prestes a inaugurar a sua primeira grande exposição em nome próprio. O que é que podemos esperar?

Sem querer desvendar muito, posso dizer que vamos ter algumas peças que já foram expostas e uma série de peças novas. As temáticas das novas peças são semelhantes àquelas que eu tenho vindo a abordar ao longo destes anos.

 

Apesar de não querer desvendar muito, pode detalhar um bocadinho sobre as novidades?

Além de algumas obras que já foram expostas antes, haverá três novas séries de trabalho com peças que vão ser mostradas ao público pela primeira vez. Há uma em que faço retratos com os animais com material mais cru, sem recorrer à pintura, que é o que tenho feito. Outra série será feita em vídeo e, por fim, existe uma peça que resume uma terceira série do meu trabalho que é, no fundo, uma mistura de tudo o que tenho feito.

 

E o que é que tem feito? Para quem não conhece o seu trabalho, como é que o descreve?

Grande parte do meu trabalho tem expressão naquilo a que chamei Big Trash Animals, em que construo imagens de animais em grande escala com aquilo que os destrói, como a poluição, o desperdício e o lixo. Uso muito materiais como plásticos e sucata, por exemplo. Tudo isso para passar uma mensagem de alerta, ou seja, o que faço é criar os retratos das vítimas com o que os prejudica e com isso tento criar uma consciência em quem se depara com as minhas obras.

 

Esta exposição de arte tem uma particularidade: foge do circuito das galerias e é de entrada gratuita. Porquê?

A minha arte é pública, está lá para toda a sociedade. Pelo menos, é dessa forma que vejo o trabalho artístico, no geral. No meu caso, agrada-me que a rua seja um palco para comunicar e fazer parte da cultura e da própria sociedade. Pretendo que as minhas peças, além de serem a minha profissão, tenham uma vertente social, educativa e pedagógica que quero manter. Se, com o meu trabalho, puder mudar alguma coisa, atinjo o meu objetivo. Quero alertar consciências e quantas mais, melhor. Por isso é que é tão importante que a exposição seja de entrada livre.

 

Apresenta-se como BORDALO II, num nome artístico escolhido para homenagear o seu avô, o pintor Real Bordalo. A herança cultural, pessoal e artística que ele lhe deixou estará visível nesta exposição?

Essa herança está sempre presente. Acredito que o trabalho de qualquer artista é o reflexo da sua personalidade, pelo que o meu não é exceção. Na minha personalidade está refletido tudo aquilo que já vi e vivi e, naturalmente, que há muito que fui buscar ao trabalho do meu avô. Portanto, cada peça reflete a minha personalidade e, assim, representa um pouco dessa herança que o meu avô me deixou e que me inspira.

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