As Filhas da Mãe | Infância off line

por , 1 Agosto, 2018

Sei, por experiência feita, que o adulto possui uma tendência natural para romantizar a infância.

Por: Isabel Saldanha

Como aqueles parentes afastados que se tornam lendas, histórias muitas vezes enriquecidas pela fome do hábito e da saudade; ou de bestas que viram bestiais, quase imortais. No que respeita à infância, a que já passou e já vivi, sei que nem todos os adultos passaram a sua em jardins, nos quintais e nas quintas, a subir às árvores, a trincar fruta dos pomares e a brincar aos labirintos nos campos de milho. A verdade é que a construção em altura já leva umas décadas valentes. Nem todos os adultos criados eram crianças Tom Sawyer, nem todos tinham quintas, quintais ou canteiros e nem todas as crianças tinham a hipótese de ser crianças. A visão deprimente da vida nos subúrbios não é um conceito cinematográfico francês. E a adolescência, em qualquer um dos seus estágios, é sempre mortalmente aborrecida. Tenho páginas inteiras do meu diário que confirmam o meu tédio. Na altura, não havia telemóveis. Porque é que me demorei a introduzir o tema? Porque continuo a achar a sociedade atual muito moralista. Somos todos empreendedores, cheios de pensamentos revolucionários, ideias modernizadoras, defensores de causas e sonhos próprios, mas somos chatos, como os nossos pais eram chatos quando falavam connosco como se tivessem vivos desde o século XIX.

 


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