As Filhas da Mãe | Voltar à vida

por , 20 Setembro, 2018

Agora que o verão já passou, talvez não no sentido metereológico mas no sentido temporal, agora que as praias esvaziam, e as marés baixas já deixam antever todas as pedras, agora que os dias ficam encolhidos e o ritmo das rotinas retoma, ao mesmo tempo que o bronze evapora dos corpos, é tempo de pensar.

Por Isabel Saldanha

Agora que o verão já passou, talvez não no sentido metereológico mas no sentido temporal, agora que as praias esvaziam, e as marés baixas já deixam antever todas as pedras, agora que os dias ficam encolhidos e o ritmo das rotinas retoma, ao mesmo tempo que o bronze evapora dos corpos, é tempo de pensar. Não é obrigatório pensar. Mas a verdade é que o verão introduz uma dose cavalar de letargia. As férias também são feitas disso, desse pousio cerebral, dessa quietude, dessa desculpa que o calor dá às ideias, para que elas derretam sem misericórdia, em cada golpe de termómetro, em cada gota de suor. Cada vez que o gelo se torna água, o pensamento faz o mesmo e evapora-se, enchendo o cérebro de uma matéria sem grandes propriedades nem vocações, como o líquido que vai enchendo o copo com sobras de água. O verão não tem uma vocação intelectual, nunca teve, mesmo quando se tenciona pôr a leitura em dia. A grande conquista do verão é o vazio.

 

 

 


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