Cinema | SUPER-AGOSTO

por , 2 Agosto, 2018

É altura de Hollywood lançar os seus blockbusters, filmes de grande orçamento, destinados a converter-se em sucessos de bilheteira.

Por Diogo Marques

 

MISSÃO IMPOSSÍVEL – FALLOUT: TOM CRUISE, AÇÃO E ACROBACIAS

Tom Cruise tem uma nova missão; duas mulheres são protagonistas do novo filme da Marvel; adolescentes possuem capacidades sobrenaturais. Agosto é o mês dos heróis.

Notícia de agosto de 2017: Tom Cruise fratura tornozelo durante a rodagem do seu novo filme. Isto é mesmo o título de uma notícia verdadeira? Sim, se considerarmos que o acidente, com o ator de 55 anos, não aconteceu durante uma caminhada entre cenários mas a dezenas de metros do chão, quando tentava executar um salto acrobático entre dois prédios. E agora, caso esteja a interrogar-se quanto ao que fazia Tom Cruise no topo de um arranha-céus, eu explico: o norte-americano estava a interpretar Ethan Hunt, o agente secreto que há mais de duas décadas se mantém no núcleo de uma das sagas de maior sucesso, na história do cinema – Missão Impossível –, que este mês está de regresso com o sexto capítulo.

Nesta nova aventura, o agente Ethan Hunt (Tom Cruise) reúne a sua equipa do IMF (Alec Baldwin, Simon Pegg, Ving Rhames) e alguns aliados (Rebecca Ferguson, Michelle Monaghan), na mais arriscada das missões impossíveis. Nada mais se podia esperar de Cruise, o profissional da 7ª Arte que, sempre que possível, dispensa duplos para a execução das cenas mais arriscadas. Saltos acrobáticos, explosões e um tour por múltiplos pontos do globo terrestre já são habituais nos filmes que protagoniza, mas como afirma o realizador Christopher McQuarrie: “Tom [Cruise] é em primeiro lugar um artista. Ele nunca esquece o público. Tudo o que ele faz no cinema é levar-nos a lugares onde nunca estivemos, mostrar-nos coisas que nunca vimos. Ele nunca pára de ter novas ideias”.

É esta dedicação e desejo insaciável de surpreender, e entreter, que está presente em Missão Impossível – Fallout. Um filme que, além de ser uma “viagem” por destinos como Paris, Londres, Índia, Nova Zelândia, Noruega e Emirados Árabes Unidos, e de apresentar acrobacias de alto risco – que tornam (Tom Cruise no primeiro ator a saltar de um avião em queda livre, a uma altura de quase 9 quilómetros, durante a rodagem de um filme –, não esquece a importância de desenvolver as narrativas das personagens femininas da saga. “Fomos abençoados, por ter quatro mulheres incrivelmente fortes neste filme”, diz o realizador. “Estávamos determinados a trazer um lado mais feminino para este filme, e, também, a dar identidades distintas de cada uma dessas personagens, criando papéis fortes e fundamentados”.

 

 

HOMEM-FORMIGA E A VESPA: SUPER-HEROÍNAS NO UNIVERSO MASCULINO

 

O que é que as personagens Homem-Aranha, Hulk, Capitão América e Thor têm em comum? Duas coisas: são super-heróis da Marvel Studios e são todos homens. No cinema de super-heróis, as mulheres têm dificuldade em destacar-se, particularmente no universo cinematográfico da gigantesca produtora norte-americana que, após uma década de existência, tem centrado as tramas dos seus filmes em personagens masculinas. Filmes como Os Vingadores, ou Guardiões das Galáxia apresentam personagens femininas, porém sempre em papéis romanceados e secundários. Keith Feige, diretor executivo, admite que é hora de mudar e que, num futuro próximo, “Chegaremos a um momento em que iremos ver todas as nossas personagens femininas da forma que vimos a maioria, nunca toda masculina, mas principalmente masculina. O desejo é que, nos próximos filmes da Marvel, mais de metade dos super-heróis sejam mulheres”.

Homem-Formiga e a Vespa apresenta-se como o passo inicial para a concretização desse desejo de paridade, ao ser o primeiro filme a referenciar a protagonista feminina (a Vespa) no título.

Como sequela do divertido “Homem-Formiga”, lançado no verão de 2015, este filme vai sem dúvida mergulhar na história do super-herói Scott Lang (Paul Rudd). Mas o foco principal está, desta vez, em Evangeline Lilly, que interpreta Hope Van Dyne, a jovem que se transforma na Vespa que dá título a este filme. Os dois atores compartilham o poder de miniaturização e trabalham em equipa, a fim de salvar a mãe de Hope, Janet, a “vespa original” que se encontra aprisionada numa dimensão alternativa.

 

Janet, a “primeira Vespa”, é nada mais nada menos que Michelle Pfeiffer, a atriz de 60 anos, que encarna a sua primeira super-heroína desde 1992, ano em que interpretou a sensual Catwoman, no filme Batman Regressa, de Tim Burton. E como todo o herói combate vilões, o antagonista desta aventura é Ghost – uma personagem que, no universo de banda-desenhada da Marvel, tem sido tradicionalmente masculino mas que, no filme realizado por Peyton Reed, é interpretada pela atriz Hannah John-Kamen. “O Ghost poderia ser homem, mulher, qualquer coisa, mas parece-nos mais interessante atribuí-lo a uma mulher, para dar uma nova perspetiva à personagem”, afirmou o realizador, numa das entrevistas de apresentação à imprensa.

MENTES PODEROSAS: FORÇA, JUVENTUDE E DIVERSIDADE

O filme baseado na série de livros de Alexandra Bracken, Mentes Poderosas (The Darkest Minds, no título original), decorre num futuro próximo, numa América turbulenta onde 98% das crianças do país morreram, devido a uma doença misteriosa. Os os restantes 2% desenvolveram poderes sobrenaturais. Por serem diferentes, são declarados uma ameaça pelo governo e detidos em campos de concentração – uma situação fictícia, mas não muito distante da realidade atual, na medida em que crianças migrantes têm sido mantidas em gaiolas dentro das fronteiras americanas. Ruby (Amandla Stenberg), uma jovem de 16 anos que se encontra entre os prisioneiros, consegue escapar com a ajuda da médica Cate – interpretada pela atriz da série “This Is Us”, Mandy Moore, e juntar-se a outros adolescentes na busca de um abrigo. Isto num mundo em que os adultos no poder parecem ter condenado o futuro das gerações mais jovens.

Para Jennifer Yuh Nelson (cineasta de origem asiática, responsável pelos filmes de animação Panda do Kung Fu), era imperativo que a sua estreia, enquanto realizadora de um live-action, pautasse pela heterogeneidade cultural do elenco: “Quis reunir um elenco que refletisse a diversidade deste país [os Estados Unidos]”. Com a atriz Amandla Stenberg, mais conhecida pelo papel de Rue, na saga Jogos da Fome, e por ser uma ativista pelos direitos da comunidade LGBTI, este filme é mais um exemplo, como sucedeu no início do ano com Lady Bird, de uma cineasta feminina que constrói histórias com o apoio de jovens atores e atrizes. “É um filme sobre abraçar e defender a diferença”, afirma a realizadora.

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