Consultório | Pergunte ao Dr. Quintino

por , 23 Outubro, 2018

“Conheço a sua opinião geral, muito negativa, em relação ao consumo de drogas: Mas gostaria de ter alguma orientação sobre a forma mais correta de agir, num caso muito específico. Tenho um filho de catorze anos, que cresceu sem problemas, mas que agora descubro ter começado a fumar drogas leves com os amigos. Naturalmente que eu e o pai tivemos imediatamente uma conversa com ele. Mas ficámos um pouco perdidos, talvez por ser nosso filho e, com os nossos, parece que tudo se torna mais confuso na nossa cabeça. Ele diz que só fuma coisas leves, e apenas quando está em grupo com os amigos. Pergunta-nos se o queremos a socializar e desenvolver, ou que fique sozinho, fechado no quarto sem amigos, como sempre dissemos que não o queríamos. Eu e o meu marido confessamos que ficámos bloqueados, e dissemos-lhe que aquela conversa não estava acabada, que voltaríamos a falar com ele sobre este assunto. Agora eu e o meu marido falamos horas seguidas sobre isto, mas cada vez estamos mais confusos e eu, que sempre fui uma mulher decidida, termino sempre a chorar”.

Sim, tem razão quando escreve que tenho uma posição fortemente negativa, em relação ao consumo de drogas. É apenas uma opinião, no caso a minha, mas que está muito solidificada dentro de mim, por duas razões bem simples: primeiro, porque grande parte da minha vida, de 51 anos, foi dedicada a estudar e a aprender como se contribui para, e se constrói uma vida humana caracterizada pela felicidade, a inteligência e o trabalho, bases da realização da Pessoa humana. Aprendi na ciência, e constatei repetidas vezes na vida real, que qualquer consumo de drogas é incompatível com este tipo de projeto. Se procurar, vai encontrar com facilidade imagens de exames médicos, mostrando a destruição do cérebro pelo consumo de drogas. Se tiver uma conversa séria com alguém que viva na mesma casa ou partilhe o mesmo local de trabalho com alguém que consuma o “simples e leve” haxixe, vai perceber que, nas 48 horas seguintes, aumenta a impulsividade. Com exceção para aquelas pessoas muito passivas, é comum que, nessas 48 horas, os conflitos e a agressividade aumentem, comprometendo significativamente a tranquilidade que se deseja, no lar familiar e no local de trabalho. A necessidade de consumir avança de forma camuflada e traiçoeira, e se o resto da família não consome, o mais provável é que se afaste, e os vínculos afetivos deterioram-se e, muitas vezes, extinguem-se. - Dr. Quintino

 


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