CRÍTICA: «Chama-me pelo Teu Nome» | O arquétipo do amor

por , 17 Janeiro, 2018

Aclamado no Festival de Sundance é um forte candidato aos Óscares de 2018, o novo filme de Luca Guadagnino é uma das melhores histórias de amor do cinema moderno. Estreia amanhã, em Portugal.

Por: Diogo Marques

Verão de 1983. Algures no norte da Itália. Não há nada para a fazer, além de ler, tocar piano e colher pêssegos das abundantes árvores de fruto espalhadas pela villa. É neste ambiente espaciotemporal que o filme ‘Chama-me pelo Teu Nome’ e o seu realizador, Luca Guadagnino (‘Eu Sou o Amor’, 2009), oferecem a possibilidade de acompanhar o florescer da paixão entre dois jovens.

Elio (Timothée Chamalet) é um adolescente de 17 anos que passa férias na casa de verão com seus eruditos pais: uma tradutora de literatura clássica e um professor de arqueologia. Um dia, chega Oliver (Armie Hammer), um homem 7 anos mais velho, com o propósito de ser o novo assistente do seu pai. Como qualquer adolescente, Elio encontrar-se em pleno despertar da sua sexualidade e apesar da hostilidade inicial para com Oliver, os sentimentos que surgem entre ambos, fazem com que se questione.

Adaptado do romance literário de André Aciman, ‘Chama-me pelo Teu Nome’, é uma obra-prima sobre o primeiro amor. Caracterizando a época de verão, a emoção narrativa é construída a um ritmo propositadamente lento e gradual, com uma sensação de preguiça, o que faz com que o mais mundano dos gestos – o partir de um ovo ou o beber de um sumo de pêssego – contenha em si um significado muito mais intenso do que qualquer intimidade física entre os protagonistas, que aqui é apenas um elemento secundário ao serviço desta história de amor, na qual o espectador imerge.

Repleto de subtextos e sensibilidade dramática, o guião de James Ivory, adaptação do romance literário de André Aciman, revela de forma detalhada e dinâmica as constantes evoluções emocionais de Elio e Oliver, onde através de pequenos momentos entre os dois – como os passeios de bicicleta ou os banhos no lago- é possível de uma forma quase palpável vivenciar aquele verão italiano.

Ao argumento, associam-se não só a mestria da realização de Guadagnino (muito influenciada pelo cinema italiano e francês de Bernardo Bertolucci e Jean Renoir), mas também as grandes interpretações dos seus protagonistas, Chalamet e Hammer. Os dois atores apresentam uma assombrosa e brilhante química, que se vai tornando mais impactante e intensa com o prenúncio do fim do verão. No entanto, o maior destaque vai para a impressionante performance de Timothée Chamalet, o jovem de 21 anos, que na pele de Elio, toca piano, guitarra e fala fluentemente três línguas: inglês, francês e italiano.

É ainda de destacar, a encantadora banda sonora que desde do início acompanha a história de Elio e Oliver. Nomeadamente, as músicas compostas pelo americano Sufjan Stevens que pintam uns desatadores e esteticamente belos, créditos iniciais e finais. É, sem dúvida, um filme para disfrutar até ao acender das luzes da sala.

“O cinema é um espelho da realidade”, refere um dos personagens de ‘Chame-me pelo Teu Nome’. De facto, das performances à sonoplastia, dos aspetos mais técnicos aos pormenores do guarda-roupa, há uma sensação de realismo que a maioria dos filmes não apresenta, que tornam ‘Chame-me pelo Teu Nome’, uma experiência visual e sonora arrebatadora.

História de amor intemporal, transcendendo género e orientação sexual, ‘Chame-me pelo Teu Nome’ é (e será) um dos melhores filmes de 2018.

 

CLASSIFICAÇÃO: 5/5

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