CRÍTICA: «Coco» | Uma aventura pela cultura mexicana

por , 21 Novembro, 2017

Impregnado de cultura e folclore mexicano, a mais recente produção da Disney-Pixar, é uma das melhores dos últimos anos. «Coco», estreia esta quinta-feira nos cinemas.

Por: Diogo Marques

Desde 2015, com «Inside Out» («Divertida-mente» em português), que a parceria Disney-Pixar tem apresentado, apenas, projetos pouco conseguidos como a «A Viagem de Arlo» e «Carros 3». No entanto, «Coco», inspirado na festividade mexicana do Dia dos Mortos, que homenageia os familiares e amigos já falecidos, apresenta-se como um elemento revitalizador para o gigante estúdio de animação.

«Coco» conta a história de Miguel, um rapaz de 12 anos, que apesar da proibição da sua família sonha tornar-se um músico, como o seu ídolo, Ernesto de la Cruz. Obstinado para conseguir demonstrar o seu talento e após uma série de misteriosos eventos, Miguel – e o seu companheiro canino, Dante – dão início a uma aventura no colorido Mundo dos Mortos. Ao longo da jornada, ao conviver com os seus antepassados, Miguel acaba por encontrar algo mais importante que a música: a essência do amor da sua família.

Realizado pelos americanos, Lee Unkrich («Toy Story 3») e Adrian Molina, repleto de músicas mariachi – entre as quais, a música «Remember Me», escrita por Kristen Anderson- Lopez e Robert Lopez, compositores do filme «Frozen» -, «Coco» procura ser um novo olhar sobre a cultura mexicana.

 

Com animações brilhantes, inevitavelmente contrastadas e bem estruturadas entre o Mundo dos Vivos e o Mundo dos Mortos, conectados por uma ponte de pétalas reluzentes, este filme aborda a importância da família, da conexão com o passado e, dá grande ênfase ao significado da morte. No entanto, é de salientar que, apesar visualmente arrebatador, este 19º trabalho do estúdio Pixar apresenta uma história muito pouco inovadora (lembrando o filme de 2007, «Ratatouille», então uma homenagem à cultura francesa), que mesmo com personagens bem construídas perde-se um pouco no folclore e cultura que (tão bem) representa.

«Coco» ainda que não contenha uma premissa tão ousada e singular como os filmes «WALL.E» ou «UP- Altamente!», e que demore mais tempo a explorar as suas temáticas, compensa com um clímax que promete deixar os espectadores com um nó na garganta e roubar algumas lágrimas, como é já apanágio dos filmes deste estúdio.

Em última instância, «Coco», tem em cada um de nós, uma enorme ressonância emocional. Mas, o seu maior feito é conseguir tornar uma história inspirada numa importante tradição mexicana, num conto universal – sem muros ou fronteiras -, que promete entreter miúdos e graúdos.

 

CLASSIFICAÇÃO: 4,5/5

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