CRÍTICA: «McQueen» | Olhar o homem por detrás do ícone da moda

por , 6 Outubro, 2018

Um documentário intimista sobre a vida e carreira do estilista britânico Alexander McQueen, o homem que revolucionou as passerelles, mas que foi intitulado pelos media como o “hooligan” da moda. Uma história sobre a ascensão, o tormento e prematura morte de um artista.

Por: Diogo Marques

 

“Há muitas pessoas no ramo da moda que dizem: eu descobri o Alexander McQueen. Ninguém descobriu o Alexander McQueen. O McQueen descobriu-se a si próprio”. É a partir desta declaração que os realizadores Ian Bonhôte e Peter Ettedgui procuram no documentário “McQueen” relatar como é que um rapaz de origens humildes, filho de um taxista, revolucionou a forma de fazer alta costura e se tornou um dos maiores e mais irreverentes nomes do mundo da moda. Assim, para desmistificar o homem por detrás do ícone e gerar empatia no público que esteja pouco familiarizado com esse universo, os cineastas recorrem a entrevistas de familiares, amigos, colegas e a imagens de arquivo para revelar o íntimo do estilista britânico que rapidamente passou de protegido da editora de moda Isabella Blow a diretor criativo da Givenchy e dono da sua própria marca.

Se me quiserem conhecer, vejam o meu trabalho”. Quem o afirmou foi o próprio Alexander McQueen. Por essa razão, pela natureza profundamente pessoal da sua arte, o documentário é, de forma inteligente, estruturado em cinco capítulos, cada um deles baseado em alguns dos seus desfiles mais icónicos: “Jack The Ripper, Stalks His Victims”, a sua coleção de final de curso em 1992; “Highland Rape”, o seu primeiro desfile envolto em controvérsia por explorar a violação das mulheres, nomeadamente no período de 1800, quando a Inglaterra invadiu a Escócia; “Search for the Golden Fleece”, a sua primeira coleção no comando da conceituada casa da moda Givenchy; “Voss”, uma exploração do binómio beleza/loucura, e “Plato’s Atlantis”, o seu último desfile – todos eles momentos que expressam a vida e a obra de McQueen como dois elementos indissociáveis. Contudo, o ritmo da excelente banda sonora de Michael Nyman e o motif da caveira – um dos símbolos de marca do britânico – lembram constantemente que, com o sucesso, vieram à tona os seus demónios pessoais.

Por outras palavras, “McQueen” é um olhar empático e intimista sobre o indivíduo cujo espírito criativo recorreu a máscaras e a armaduras para esconder os rostos de algumas das modelos mais bonitas do mundo. Utilizou robôs e construiu vestidos de fita isoladora, somente com o propósito de despoletar as mais variadas emoções na audiência. O retrato de um homem talentoso e visionário mas também perturbado, que tinha nas passerelles e nos seus viscerais desfiles o meio para comunicar os seus desejos, medos e obsessões.

 

NOTA: 4/5

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