Dividir os filhos no Natal

por , 20 Dezembro, 2019

Para muitas famílias, esta pode ser uma época de conflito e tensão. Quando os pais estão divorciados, a gestão do tempo passado com os filhos pode ser difícil. Conversámos com uns e outros sobre o assunto.

por Xavier Pereira

“Separei-me há nove anos. Os meus filhos tinham 13 e 23 anos de idade. A separação foi de comum acordo, achámos que era a melhor decisão. No momento da regulação do poder paternal, ficou logo estipulado: o dia 24 de dezembro seria passado comigo, o dia 25 com o pai. Não houve conflito para chegar a esta resolução que foi sempre cumprida sem qualquer stress”. Isabel Pereira tem 50 anos de idade. Com o aproximar de mais um Natal já sabe com o que contar. O filho que tem em comum com o ex-marido só lhe fará companhia na noite da consoada. “Decidimos assim porque o Natal é mais importante para mim do que para ele”. Esta é, de resto, a solução adotada por muitas famílias nas quais o divórcio abalou a tradição familiar.
“O divórcio é uma rutura, um projeto que fracassou”, começa por contextualizar a psicóloga clínica Teresa Ribeiro. “Numa situação de divórcio, o simbolismo do Natal vai ser confrontado com todos os processos psicológicos que aparecem com uma separação. Mãe e pai vão, necessariamente, viver momentos de tristeza, frustração e angústia. Uma quadra que, no anterior, foi vivida em harmonia, passa a ser caracterizada pela separação e um sentimento de perda. A verdade é que ninguém se prepara para viver o Natal longe de um filho”. Ou um filho longe dos pais.
Os progenitores de Miguel Santos separaram-se quando tinha cinco anos de idade. As principais memórias que tem incluem duas casas, duas mesas, duas árvores de Natal e a família dividida. Ainda assim, parece não se importar. “Os meus pais divorciaram-se amigavelmente. Se passo o dia 24 com a minha mãe, no 25 estou com o meu pai. No ano seguinte, é ao contrário”. Quase 15 anos depois, nunca houve um conflito sobre o assunto. “Houve um ano em que quis passar a consoada com o meu avô paterno e pedi à minha mãe para repetir o modelo do ano anterior. Ela deixou, foi tranquilo”. Apesar da sua experiência, Miguel reconhece existirem casos feitos de constante disputa.
“Tenho muita sorte porque minha família se dá bem. Sei que existem situações muito complicadas nas quais as crianças e jovens não conseguem estar com toda a família e conciliar tudo tão bem quanto eu. Tenho mesmo pena”. Teresa Ribeiro acrescenta: “Não podemos esquecer que, num divórcio, não são só duas pessoas que se separam, é uma família inteira.”


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