Eduardo Sá | “Não se fala sobre o amor. De repente, parece que toda a gente está resolvida a esse nível, quando é exatamente o contrário.”

por , 21 Fevereiro, 2018

Ao longo da vida, já todos lemos, vimos ou ouvimos histórias que terminam com a frase: “viveram felizes para sempre”. Há quem procure um desses finais e, por outro lado, quem diga não acreditar no amor. Qualquer que seja o seu caso, este texto é para si.

Por: Xavier Pereira

“Quem nunca morreu de amor?”. A questão é lançada pelo psicólogo Eduardo Sá, e dá título ao seu mais recente livro. São 203 páginas em que o especialista, mais do que apontar o dedo, quer mostrar a existência de algo que nos une: os mistérios que o coração desconhece.

“Não se fala sobre o amor. De repente, parece que toda a gente está resolvida a esse nível, quando é exatamente o contrário. Às vezes, discutimos mais facilmente a sexualidade, ou falamos mais dela, do que das relações amorosas, naquilo que elas têm de mais profundo”. Por isso é que, para o psicólogo, o trabalho lançado em outubro do ano passado faz todo o sentido. “Apeteceu-me escrever este livro”, confessa.

O trabalho reúne uma série de ensaios sobre diferentes tópicos relacionados com o amor, intercalados com uma história. “Quis fazer aquilo que acho ser a minha obrigação, ou seja, dizer: ‘caso não tenham reparado, nós somos produzidos com estas imperfeições’. Em vez de ser um manual de instruções, é o contrário. É uma maneira de tocar nas pessoas e de as comover com aquilo que temos de imperfeito”.

Recheado de mensagens, a obra começa com um aviso: “num livro de amor nunca se entra”. Neste, em particular, deve-se entrar, dizemos nós. Nele encontrámos todas aquelas questões que já apresentámos ao outro e que, ao mesmo tempo, fazem parte de nós, mesmo que não o saibamos. Eduardo Sá explica: “as pessoas não se despem por dentro. Uma relação amorosa é aquilo que nos permite tornarmo-nos transparentes e sermos capazes de pensar na presença de outra pessoa”. Ainda assim, o psicólogo, que já conta com longos anos de experiência, diz que isso acontece com pouca frequência: “vendemo-nos como se fôssemos produtos”.

Culpa-se a rotina, os múltiplos compromissos e a velocidade do tempo, o qual, hoje em dia, parece voar mais depressa. Trabalha-se muito. “As pessoas tinham tudo para ser mais felizes, mas, ao viverem assim, facilmente são mal-amadas, porque as relações são descartáveis”, alerta o também psicanalista e professor. “Precisamos ter a noção de que é muito mais importante namorar”. E isso não tem idade.

“Convencionou-se que as pessoas só estão autorizadas a viver em clima de namoro até casar, que não faz mal irmos deixando de ser amorosos e amáveis. Quando crescemos, passamos a ser muito pouco atenciosos com as pessoas. Poupamos nos pequenos gestos, mas temos de perceber que podemos trabalhar muito, ter vidas exigentes, e, ao mesmo tempo, ter em atenção esses pequenos “nadas” que vão fazer a outra pessoa sentir que existe, que importa e que nós a conhecemos”.

Leia a entrevista completa na edição deste ou na app CRISTINA M.

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