ENTREVISTA DEEJAY KAMALA | “Neste espetáculo, tudo é um upgrade”

por , 17 Setembro, 2018

Empresário, produtor e disco jockey. Chama-se João Fernandes, mas é conhecido como Deejay Kamala. Há 20 anos que faz dançar centenas de pessoas, nas pistas de dança de todo o país. Dia 19 de setembro, torna-se o único DJ português a atuar, em nome próprio, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, acompanhado de vinte convidados-surpresa. Motivo mais que suficientes para uma conversa.

 

CRISTINA – A data de celebração destes vinte anos está cada vez mais próxima. Já começa a existir alguma ansiedade?

KAMALA – Nenhuma, honestamente. Tenho a mesma ansiedade desde o dia em que esta aventura foi anunciada. Sempre lá esteve. Estou, isso sim, cada vez mais confiante neste ideia. A plateia em pé está esgotada, isso é um indicador muito positivo. Quer dizer que três quartos da sala, estão vendidos. O segundo passo, agora, é tentar esgotar totalmente o Coliseu.

 

CRISTINA – Mantendo o secretismo e a surpresa que queres causar, conta-nos: o que podemos esperar?

KAMALA – Um espetáculo que nunca apresentei antes. A ideia é fazer um upgrade a tudo o que já apresentei. Haverá várias surpresas – ao nível de quantidade e qualidade de artistas, mas também a nível cénico. Neste espetáculo, tudo é um upgrade.

 

CRISTINA – Podes revelar algum nome, entre os vinte que subirão contigo ao palco?

KAMALA – É segredo até ao momento da atuação! (Risos) Isto passa por valorizar o meu trabalho e não o trabalho dos artistas. São artistas que me acompanham, amigos, não quero promover o espetáculo à conta deles. Quero fazê-lo por mim.

 

CRISTINA – Este concerto vai ter uma componente tecnológica. O que podemos esperar nesse campo?

KAMALA – Também sobre isso gostava de não levantar muito o véu. A comunidade 360 [das festas semanais que promove] vai ser privilegiada neste evento. O Coliseu dos Recreios vai ser o encerramento das datas de verão. A app vai estar ativa durante o Coliseu. Em termos cénicos, são os meios comuns. Efeitos de festa, a nível visual, luzes, áudio, vídeo. Este espetáculo tem uma vertente de festa muito forte.

 

CRISTINA – Qual é a duração prevista para essa festa?

KAMALA – A ideia é ser uma hora e meia de espetáculo.

 

CRISTINA – Estes vinte anos foram feitos de várias experiências, com altos e baixos, até encontrares o teu lugar. Como olhas para esse percurso?

KAMALA – Olho para o percurso com grande orgulho! Há vinte anos, estava longe de pensar que ia fazer um espetáculo no Coliseu, ou uma curadoria no NOS Alive, ou no Rock in Rio-Lisboa, ou passar por 80% das grandes salas e festivais nacionais. Não pensava que teria tocado tantas vezes no estrangeiro, ou com grande parte dos artistas que respeito em Portugal. Estava longe de imaginar tudo isto. A ideia de disco jockey, em Portugal, foi banalizada. Qualquer pessoa com acesso a material e gosto por música, pode ser um DJ. Ao longo destes vinte anos, deu para separar o trigo do joio e construir este caminho; criar conceitos de festas; ter duas casas em Lisboa – o Radio Hotel e o Bosq –; participar em festivais; participar na programação do Bliss, no Algarve… Tudo isto acontece como o melhor que posso fazer enquanto DJ, mas também como empresário. O Deejay Kamala é uma marca. Esforcei-me para que assim fosse! Por isso, olho para estes vinte anos com sincero orgulho e regozijo, como alguém que apostou todas as fichas e conseguiu.

CRISTINA – Tal como referiste, subiste ao palco dos maiores festivais, atuaste nas maiores festas e nas melhores pistas de dança em Portugal. Como é chegar ao Coliseu dos Recreios?

KAMALA – Tenho de assumir que sou um bocadinho idiota. Não consigo estar parado, sem pensar em coisas novas para fazer e ter ideias. Tenho um segundo mal: quando gosto de alguma dessas ideias a sério, não consigo parar sem a concretizar. Sou um workaholic. Gosto muito do trabalho que faço e a minha postura é: fazer bem. Quando se começa a pensar em vinte anos de carreira, começa a pensar em como é que se conseguiria fazer um step up, dar um passo em frente, – para mim e para o mercado. Nessa análise, percebemos que nenhum DJ tinha, ainda, atuado em nome próprio no Coliseu. Temos muitas bandas que nunca o fizeram, pela dimensão da sala. Porquê o Coliseu? Foi a ótica de: “sabes o que é que era fixe e fora da caixa? Era fazer o Coliseu!”. Foi por aí. Um objetivo que me parecia difícil, mas que, ao mesmo tempo, nos parecia possível. Passou por o que conseguimos fazer diferente, que nunca tenha sido feito. No fim do dia, se tiver vinte anos de carreira e não tiver 21, se esta celebração for a última coisa que tenha feito, é um regozijo muito grande poder ser pioneiro na minha área e atuar no Coliseu. Ou seja, se me reformar no dia seguinte, olhar para trás e ver como tudo culminou, é algo que me motivaria. Esta motivação e umas noites sem dormir, fez com que o Coliseu fosse a cereja no topo do bolo. Mesmo! Nunca pensei na Altice Arena. O Coliseu é o Coliseu. Tem uma conotação muito superior para mim.

 

CRISTINA – Agora, queria que te preparasses para a pergunta mais difícil desta conversa: se tivesses de resumir estes vinte anos numa música, qual seria?

KAMALA – (Risos) Precisava de duas horas para pensar e mesmo assim não sei se conseguiria! Não consigo, a sério…

 

CRISTINA – Claro que consegues!

KAMALA – [Pensa] Não vai ser o tema perfeito, mas acho que é o mote interessante para quem quer construir a carreira, tem vinte anos disto e quer alcançar outros objetivos e outros voos. [Seria a] All the way up. Acho que faz sentido, na ótica de não deixar esmorecer os sonhos e pensar só no que se pode ser atingir.

 

CRISTINA – Falaste de sonhos e objetivos. O que vem a seguir?

KAMALA – É segredo! (Risos) Vai ser o 3.0. (Risos) Quero que corra tudo bem, na carreira como DJ e empresário. As minhas casas [Radio Hotel e Bosq] são uma prioridade. Já enquanto artista, o meu objetivo futuro, é ter reconhecimento enquanto produtor e não apenas enquanto DJ. Quero ter mais portefólio enquanto artista. Quero que as pessoas quando saírem de casa para ir ouvir o Deejay Kamala a pôr música, oiçam coisas minhas, e não coisas de outros tocadas por mim. Quero crescer enquanto produtor.

 

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