Filhas da mãe | A verdade nunca prescreve

por , 5 Dezembro, 2018

Fujo dos temas polémicos, porque há um desvario grande de opiniões, crispações, encontrões e demais palavrões, que em território de guerra acesa não me sinto capaz de discernir.

Por Isabel Saldanha

O que não significa que não pense nas coisas…penso, pesquiso, leio, relaciono e, quando preciso, escrevo. E há temas que me lixam o juízo. E para ser mais objetiva, até vou pôr de lado a minha condição de género e o facto de ser mãe de duas raparigas. O tema das violações, abusos sexuais e assédios, as campanhas #metoo, #heforshe e #nomore inscreveram-se na contemporaneidade dos dias e ganharam uma agenda. Do silêncio absurdo dos tempos em que o “mute” era a única arma dos oprimidos, inauguramos finalmente o tempo em que se fala das coisas. Há dores que não prescrevem e uma verdade dura nunca é oportuna. De repente, começa tudo a estranhar “que se fale”. Não é aceitável que, numa sociedade organizada, com meios de justiça próprios, cause tanto desconforto às pessoas que se averigue a verdade dos factos. Quem não deve, não teme. Se a verdade for revestida de difamação, mentira, extorsão, também há mecanismos de justiça para punir os linguarudos. O que não pode ficar sem escrutínio é a verdade da dor. Anda meio mundo em terapia e barbitúricos, porque não consegue verbalizar, ultrapassar e falar sobre o que viveu no passado, o que sente no presente e o que quer para o futuro; e querem mesmo que eu acredite que um trauma prescreve? Que se perde o direito à dor quando ela não é apresentada na bandeja do presente?

 

 


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