Filhas da mãe | Estar sozinho não é fácil

por , 21 Dezembro, 2018

Nunca estive muito tempo sozinha, não o suficiente, para falar com autoridade dos benefícios da solidão.

Por: Isabel Saldanha

Sempre que estive sozinha, estava a batalhar as dores de um coração partido, ou, por cobardia e medo, empenhada em pôr cobro a essa mesma solidão. Quem diz que é fácil, mente.
Emparelhar faz parte do projeto da maioria das pessoas que conheço; não me lembro de alguma vez ter ouvido alguém, do meu grupo de amigos, dizer: Eu, quando for grande, vou estar sozinho, inteiro, entregue aos meus cuidados. Tão cheio de amor-próprio, que vos hei-de provar como se suplanta o próprio Amor.
Toda a gente que nasce traz um cesto e uma seta, andamos a disparar que nem doidos por relações afins. Com sorte, uns “matam” e ficam, permanecem, resgatam, encostam-se à carcaça do defunto, ou encontram, na seta espetada, a carne mais tenra do seu amor. Conheço pouca gente que não comente em fim de linha, porra, porque é que a Anabela está sozinha? Porque é que o Eduardo não arranja ninguém? Parecem ter vidas felizes, consta que se bastam, mas os casais desconfiam e os solteiros, sem vocação, não compram. A solidão é uma merda.

 


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