Ganhar asas e sair do ninho

por , 24 Janeiro, 2019

Faz-se um ninho e nascem as crias. Trata-se delas, até que as suas asas ganhem força para voar. Quando essa força tarda em chegar, as crias permanecem no ninho por mais algum tempo. Ou alguns anos… Os jovens portugueses saem de casa dos pais cada vez mais tarde, e são vários os motivos que os fazem permanecer no ninho.

POR Margarida Menino Ferreira

 

“Ter um emprego já não é suficiente. É preciso ser autónomo, para conseguir pagar a renda, a água, a luz”. Alexandre Silva, 33 anos

Sair de casa dos pais é sinonimo de independência, mas também de contas para pagar. Alexandre Silva tem 33 anos e vive com a mãe. Começou a trabalhar aos 15 anos de idade e, passado poucos anos, sentiu vontade de ter a sua própria casa: “Quando somos novos e nos chateamos com os nossos pais, pensamos que o facto de irmos viver sozinhos nos resolve o problema, e nos dá independência. Mas, depois, surgem momentos em que percebemos que ali é o nosso canto, o nosso abrigo. E, além disso, por vezes, o fator económico também impede que aconteça”.

Portugal é um dos países da Europa em que os jovens saem mais tarde da casa dos pais. O estudo atual “Igualdade de género ao longo da vida: Portugal no contexto europeu”, levado a cabo por investigadores do Instituo Superior de Ciências Sociais e Políticas, revela que, em Portugal, a idade média de saída da casa de família é de 29,7 anos de idade para eles, e 28,2 para elas, ou seja, quase uma década mais tarde, em comparação ao que acontece em alguns países da Europa, como a Suécia. O cenário repete-se nos países da Europa do Sul, e os motivos variam entre precariedade laboral, baixos salários e instabilidade no mercado de trabalho. Para Alexandre, foram alguns desses os motivos que o impediram de sair da casa da mãe: “Nunca cheguei a sair por motivos económicos. Ter um emprego já não é suficiente. É preciso ser autónomo, para conseguir pagar a renda, a água, a luz. Aqui divido praticamente todas as contas com a minha mãe, o que é bom para os dois”.

 


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