Globos de Ouro 2018 | A Força das Mulheres de Negro

por , 8 Janeiro, 2018

 Três Cartazes à Beira da Estrada, Lady Bird, The Hanmaid’s Tale e Big Little Lies foram os grandes vencedores, numa noite de celebração da força feminina e protesto contra o assédio sexual. 

Por: Diogo Marques 

Na passada madrugada, decorreu em Los Angeles a 75ª edição dos Golden Globe Awards, onde a Associação de Imprensa Estrangeira reconheceu o que melhor se fez no cinema e na televisão. Apresentada por Seth Meyers, com a maioria dos convidados, mulheres e homens, a vestirem-se de negro e a usarem pins do projeto “Time’s Up” (em português, “Acabou-se o Tempo”, um fundo para apoio legal a vítimas de assédio no trabalho), a cerimónia ficará para história como a noite da condenação pública da desigualdade de género e dos casos de assédio sexual contra as mulheres que têm abalado Hollywood nos últimos meses.

via Vanity Fair

No que diz respeito ao cinema, destacaram-se dois filmes sobre mulheres: Três Cartazes à Beira da Estrada e Lady Bird. O primeiro, um filme que estreia esta quinta-feira, dia 11, nos cinemas, sobre uma mulher em busca de justiça pela filha desaparecida, arrecadou 4 prémios: Melhor Drama, Melhor Atriz de Drama (Frances McDormand), Melhor Ator Secundário (Sam Rockwell) e Melhor Argumento.

REUTERS/LUCY NICHOLSON

Já o segundo, Lady Bird, sobre a turbulenta relação entre uma mãe e uma filha adolescente, foi considerada a Melhor Comédia ou Musical e a sua protagonista, Saoirse Ronan, triunfou como Melhor Atriz do género.

Em televisão, seguindo a tendência já apresentada na cerimónia dos Emmys, destacaram-se as séries lideradas por mulheres, Big Little Lies – com 4 prémios: Melhor Minissérie, Melhor Atriz (Nicole Kidman), Melhor Atriz Secundária (Laura Deren) e Melhor Ator Secundário (Alexander Skarsgard) – e The Handmaid’s Tale, considerada a Melhor Série de Drama, com Elisabeth Moss como Melhor Atriz.

No entanto, o destaque não vai tanto para a vitória destas séries televisivas, mas para os poderosos discursos feministas das suas protagonistas na altura de agradecer os respetivos prémios: Nicole Kidman agradeceu às suas colegas de elenco, intitulando-as Power Women e aproveitou para falar sobre um assunto que atormenta Celeste, a personagem a que dá vida em Big Little Lies:

“Esta personagem representa algo que está no centro da discussão recente: o assédio. Acredito e tenho esperança em conseguirmos motivar a mudança, através das histórias que contamos e da forma como as narramos.”

De seguida, atriz, Elizabeth Moss, ao vencer o globo de melhor desempenho feminino em drama, citou Margaret Atwood, autora do livro em que se inspira a série:

Éramos as pessoas que não estavam nos jornais. Vivíamos nos espaços em branco nas margens de impressão. Vivíamos nos espaços entre as histórias”, citou. No entanto, conclui afirmando que: “Já não vivemos nas margens brancas. Já não vivemos nos buracos entre as histórias. Somos as histórias impressas e somos nós mesmas que as escrevemos”.

via Vanity Fair

No entanto, apesar dos diversos discursos assertivos, o momento da noite foi quando Oprah Winfrey tornou-se a primeira mulher negra a receber o prémio carreira Cecil B. DeMille. Sob uma ovação de pé, a apresentadora e atriz proferiu um discurso emocionante onde repreendeu a injustiça racial, o abuso sexual e os ataques à integridade da imprensa. Dirigiu-se depois às mulheres:

“Esta noite, quero agradecer a todas as mulheres que sofreram abusos e agressões durante anos, porque elas são como a minha mãe, tinham crianças para alimentar, contas para pagar e sonhos para conquistar. Elas são as mulheres cujo nome nunca vamos saber. Quero que todas as meninas que nos estão a ver agora saibam que há um novo dia no horizonte! E quando esse dia finalmente amanhecer, será graças a estas magníficas mulheres, muitas delas estão nesta sala neste momento, e também a alguns homens fenomenais, lutando arduamente para terem a certeza que se tornaram nos líderes que nos levarão a um dia em que ninguém terá de dizer novamente me too!”


 

Consulte aqui os vencedores:

CINEMA

Melhor Filme (Drama) – Três Cartazes à Beira da Estrada

Melhor Ator (Drama) – Gary Oldman em A Hora Mais Negra

Melhor Atriz (Drama) – Frances Mcdormand em Três Cartazes à Beira da Estrada

Melhor Filme (Comédia ou Musical) – Lady Bird

Melhor Atriz (Comédia ou Musical) – Saoirse Ronan em Lady Bird

Melhor Ator (Comédia ou Musical) – James Franco em Um Artista de Desastre

Melhor Ator Secundário (Drama) – Sam Rockwell em Três Cartazes à Beira da Estrada

Melhor Atriz Secundária (Comédia ou Musical) – Allison Janney em I, Tonya

Melhor Realizador – Guillermo del Toro por The Shape of Water

Melhor Argumento – Martin MacDonagh por Três Cartazes à Beira da Estrada

Melhor Filme Estrangeiro – Aus Dem Nichts (Alemanha/França)

Melhor Filme de Animação – Coco

Melhor Banda-Sonora – Alexandre Desplant por The Shape of Water

Melhor Canção Original – “This is Me” de  Benj Pasek e Justin Paul, O Grande Showman


TELEVISÃO

Melhor série dramática: The Handmaid’s Tale

Melhor série de comédia/musical: The Marvelous Mrs. Maisel

Melhor minissérie: Big Little Lies

Melhor ator de série dramática: Sterling K. Brown, This is Us

Melhor atriz de série dramática: Elisabeth Moss, The Handmaid’s Tale

Melhor atriz de comédia/musical: Rachel Brosnahan, The Marvelous Mrs. Maisel

Melhor ator de comédia/musical: Aziz Ansari, Master of None

Melhor atriz de minissérie: Nicole Kidman, Big Little Lies

Melhor ator de minissérie: Ewan McGregor, Fargo

Melhor ator secundário de minissérie televisiva: Alexander Skarsgård, Big Little Lies

Melhor atriz secundária de minissérie televisiva: Laura Dern, Big Little Lies

Prémio Carreira Cecil B. DeMille: Oprah Winfrey

 

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