ÍNDIA – Um Caleidoscópio de Emoções

por , 30 Abril, 2018

Em 22 dias, percorri Deli, Calcutá, Agra, Varanasi, Bodh Gaya, Darjeeling. Este é o relato desta viagem à Índia.

Por Isabel Saldanha | Fotografias: Isabel Saldanha

Foi a primeira que me ocorreu, quando me pediram para definir a viagem numa só palavra foi “porra”, que nem é coisa que diga muitas vezes.
Sou mais do clube “caraças”, mas precisava de uma palavra com mais condimento e desnível. Afinal não é frase de Pinterest, nem mito, a Índia marca. E que marca. Multi marca.
Diziam-me muitas vezes que a Índia – ou se ama ou se odeia –, eu não gosto de sentimentos contrastados, acho que dá pouco equilíbrio andar nas extremidades da vida. O que a Índia faz é provocar, em simultâneo, esses sentimentos. Amar e detestar ao mesmo tempo uma coisa. O país  nada tem a ver com essa ambiguidade, vulgarizada por quem não sabe dizer mais. A Índia merece um tremendo respeito: Porque é enorme, ambígua, diversa, gigante, marginal, sobrepovoada e eu só escolhi ver uma parte. Não posso albergar o todo nessa parte. Falo apenas do que (vi)vi.

Fotografia: Isabel Saldanha

A Índia bate. Uma pessoa mete o pé no chão, penetra num arco-íris, e é arrastada por um folclore sensorial que só nos deixa aterrar, atordoados, meses depois de já estarmos em casa. Deixem-me curtir o pião. Como quem não quer ser acordado de um sonho que nos faz suar, a frio, o que vivemos a quente.

A Índia é um sonho marginal. Deli, Calcutá, Agra, Varanasi, Bodh Gaya, Darjeeling, são cidades todas elas distintas entre si, milenares, imponentes, contrastantes. Em algumas delas vê-se muita miséria: Crianças amputadas, a pedir na rua, sem-abrigo tombados nos passeios, milhares de mendigos a viverem debaixo de panos e junto de panelas sujas, na miséria mais estreita dos passeios mais largos.  O sistema das castas foi abolido em 1950, mas ainda governa a ferros sobre uma sociedade hiper-estratificada. Se temos o azar de nascer “poeira dos pés”, seremos poeira dos pés toda a vida, porque o sistema de castas não permite casamentos que não sejam no mesmo degrau, mesmo em bicos dos pés.  E estima-se que 30% da população indiana esteja inserida neste patamar. São 1,2 biliões de pessoas, é só fazer as contas aos párias.

Mas a Índia não é poeira, é cor, crença, magia e cremação. A Índia é sabor, história, mágoa, energia e salvação. É um país que nos governa a alma pela forma como nos desgoverna o corpo. De uma beleza que arrasa, de um desmazelo que fere.

É um país que separa a essência do essencial e que a forja de novo, em cada esquina.

E já que estamos no humano e essencial, deixem-me que vos dê a minha opinião quanto aos “indispensáveis” num kit para uma viagem ao norte da Índia.

Vamos lá fazer a mala…

«Imodium» e «Buscopan» (mesmo que tivessem que largar a pasta e a escova de dentes). Ninguém sai ileso da Índia, e não me venham com a lengalenga de que põem gindungo nas papas de aveia, porque o picante é apenas um apontamento sensorial, no buffet de degustação indiano, e o “Garlic Nan” não afoga tudo o que irão sentir, quando o gengibre se mistura com o açafrão, a canela e as natas quentes de leite, de um mamífero qualquer, num arroz branco comido à mão.

Antibióticos de efeito rápido, daqueles tipo «Red Bull». E não vão querer comprometer a metafísica da viagem com o esgotamento físico. Não é um Nirvana conciliável, acreditem.

Fotografia: Isabel Saldanha

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