Como lidar com o desaparecimento de um menor?

por , 5 Agosto, 2017

Na praia, no parque de campismo, no aldeamento turístico, no centro comercial, na rua, enquanto jogava à bola com amigos. De um minuto para o outro. Estava, mas deixou de estar. É nos meses de verão que se verificam mais desaparecimentos.

Segundo os dados da Polícia Judiciária, fornecidos à CRISTINA pela Associação Portuguesa de Crianças Desaparecidas, o ano passado registaram-se 1667 casos de menores desaparecidos. Alguns resolveram-se em horas, outros nem por isso. Muitos casos têm contornos criminais e exigem a atuação concertada de várias instituições. O objetivo é comum a todas: encontrar a criança o mais rapidamente possível, sã e salva.

Por Xavier Pereira

 

Como prevenir:

Instrua o miúdo a não falar nem abrir a porta a estranhos. Mesmo que seja o Pai Natal.

Ensine os mais novos a ligar para o 112 e explique-lhes em que situações se justifica que o faça.

Nunca deixe as crianças sozinhas.

Mantenha os seus filhos longe do Facebook e de outras redes sociais.

Oriente-os para nunca aceitarem presentes de estranhos.


Como atuar numa situação de desaparecimento:

Telefone de imediato para as autoridades e lembre-se de que não precisa de esperar 48 horas para participar o desaparecimento.

Caso identifique possíveis contornos criminais, contacte logo a Polícia Judiciária.

Informe os investigadores de todos os detalhes da vida do menor, incluindo acesso ao seu quarto e computador. Mantenha um contacto estreito com o investigador responsável pelo caso.

Faça uma lista de todos os amigos, familiares e conhecidos que possam ter estado em contacto com o menor, nas últimas horas. Poderão vir a fornecer informações importantes.

Não ceda a situações de extorsão, não ofereça recompensas sem falar com as autoridades e peça ajuda a toda a família.

Sistemas de segurança:

O kit “O MEU ADN” está à venda e permite preservar a identificação genética do menor (e de qualquer pessoa). Em caso de desaparecimento, deve ser fornecido às autoridades. É importante para reduzir o tempo de resposta das autoridades, caso queiram fazer uma comparação de ADN, encontrado em locais de crime ou catástrofe, por exemplo.

A pulseira “ESTOU AQUI!” foi desenhada pela Polícia de Segurança Pública, e é indicada para situações em que os menores vão de férias. A pulseira tem um número associado a cada criança. Assim, quando algum menor é encontrado com a referida bracelete, deve ligar-se de imediato para o 112, a fim de comunicar o número da pulseira, o qual permitirá identificar o menor e a sua família. O número de emergência usado em Portugal é europeu, por isso, pode ser usado em qualquer país da União. No entanto, existe outro contacto dedicado ao apoio à infância na Europa: 116 111.


Números, segundo a Polícia Judiciária:

Total de desaparecimentos de menores de 18 anos em 2016: 1667

Entre os 0 e os 12 anos: 124

Entre os 13 e os 17: 1543

 


Desaparecimentos com contornos criminais:

Sequestros ou raptos parentais são situações muito comuns. Caso se verifiquem, é essencial envolver desde logo a Polícia Judiciária, que irá articular com outras instituições, nomeadamente o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, todos os procedimentos.

Abuso sexual de menores é outra das situações possíveis e frequentes. Esses casos são entregues à Polícia de Segurança Pública, que atua também de forma concertada com outras organizações, incluindo as polícias europeias.

Conheça a história de Paula, uma mulher que fugiu de casa aos 16 anos, na edição deste mês nas bancas ou na app CRISTINA M (IOS ANDROID)

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