Luísa Sobral: “Acho importante parar”

por , 13 Abril, 2018

Luísa Sobral sobe hoje ao palco do Casino Estoril, num concerto que encerra um ciclo. Sete anos depois de ter lançado o seu primeiro disco, faz uma pausa para voltar a dedicar-se ao papel de mãe. No entanto, ainda este ano, deverá gravar um novo álbum. Enquanto isso não acontece, é tempo de celebrar, com um concerto que será, certamente, muito especial.

POR: Xavier Pereira

O concerto no Casino Estoril é especial. Porquê?

Porque acaba por ser o último perto de minha casa e onde tenho a minha família. Depois, só tenho um em Beja e um na Chamusca, que vou tentar fazer, apesar de estar muito grávida. (Risos) Este, acaba por quase fechar um ciclo. Começámos perto de Lisboa e encerramos na mesma zona. Não acredito, no entanto, em fechar ciclos, porque as músicas viajam, mas o disco Luísa, tocado como um todo, é das últimas vezes que irá acontecer. Além desse álbum, vou mostrar o que vem a seguir.

Quer isso dizer que podemos contar com músicas novas neste concerto?

Sim, isso mesmo. Para mim, é difícil não mostrar logo o que estou a fazer, por isso, neste concerto, já vou mostrar temas novos.

O primeiro álbum foi lançado há sete anos. Como é que olha para este percurso?

É estranho. Quando o disco fez sete anos, foi o meu manager que me mandou mensagem a dar os parabéns. Nem tinha noção de que já tinha passado sete anos, pensei que fossem uns quatro, talvez. A verdade é que passa tudo muito rápido. Eu tenho sempre a mania que sou a mais nova, por isso é que é tão estranho perceber que já passou tanto tempo. (Risos) Provavelmente já não sou a mais nova! (Risos) É estranho, mas é bom. Foram sete anos, quatro discos, muitas viagens, e passou tudo a correr, o que é bom sinal, porque sempre que há coisas boas, o tempo acaba por voar e acho que foi isso que aconteceu.


“Mesmo que não parasse para ter o bebé, iria fazer uma pausa [na carreira]”, Luísa Sobral


E, portanto, chegou a altura certa de encerrar este ciclo.

Já é a segunda vez que faço uma pausa. É bom porque é planeado. Consigo ter os bebés nos tempos mais certos para a minha carreira. Não é pensado, mas resulta bem. Sou super metódica e controladora e, apesar não ser propositado, é bom que tudo resulte desta maneira. A minha mãe diz que é impressionante planear tudo e tanto, mas não foi planeado. (Risos)

Diz isso porque, no fundo, esta pausa acontece pela maternidade e pela gravação.

Acho é importante parar entre cada disco, entre cada tournée. Precisamos de tempo para apagar e voltar a escrever. É importante, mesmo emocionalmente, vamos para uma nova viagem, por isso, mesmo que não parasse para ter o bebé, iria fazer uma pausa. É preciso tempo. Um escritor acaba de escrever um livro e, depois, precisa de tempo para conseguir escrever outro. Eu sinto que preciso desse tempo.

Quanto tempo é que será necessário?

Neste caso, esse tempo, coincide com o tempo em que o meu filho vai nascer.

Quer dizer que o novo álbum já está a ser planeado?

No concerto do Casino Estoril hei de cantar músicas novas. Já toquei uma canção que deverá estar no próximo disco, quando atuei no final da Festival da Canção. Foi a primeira do meu disco novo.


“Em maio, nasce o bebé, por isso, a ideia é gravar os novos temas em julho para, depois, o álbum ser lançado por volta de outubro”, Luísa Sobral


O que podemos saber sobre esse trabalho?

Quero fazer um disco curto, de dez canções, que é o que me faz sentido. As pessoas que me inspiram, têm lançado trabalhos assim. Cada canção mais pensada, mas menos canções. E atenção, que eu já fiz um disco com 17 canções!

Quando é que deverá sair?

Em maio, nasce o bebé, por isso, a ideia é gravar os novos temas em julho para, depois, o álbum ser lançado por volta de outubro. Já escrevi 10 canções, só que eu escrevo muito, por isso, a ideia é continuar a escrever até à gravação e depois escolher as tais dez que vão compor o disco.

Que disco será, em termos de sonoridade e temática?

A ideia deste disco é ser despido. Quero contar histórias. Quero que a letra e melodia sejam os principais aspetos do álbum. Vai ser diferente dos outros discos, mesmo em termos instrumentais. Quero que os poemas e as palavras sejam o mais importante.

Se tivesse de resumir os últimos sete anos em três palavras, quais seriam?

Satisfação, preenchimento e paz. Sinto-me em paz comigo e com o meu trabalho. Sinto-me bem onde estou. Sinto-me feliz.


“Nunca toco a minha música para o meu filho”, Luísa Sobral


Na semifinal da Eurovisão em que Portugal vai participar, onde é que é mais provável que a encontremos? 

O mais provável é que seja na maternidade ou em casa, (risos) a ver a Eurovisão, naturalmente. Se ainda não tiver o bebé, sou capaz de ir ver o espetáculo ao vivo. Depende de como me sentir na altura. Gostava de ir, porque criámos uma espécie de família nos 15 dias em que estivemos lá, [Kiev, Ucrânia] mas depende da gravidez. Certo é que vou acompanhar tudo.

É a segunda vez que vai experimentar a maternidade. Não resisto em perguntar-lhe se o álbum de músicas infantis que fez é o mais tocado lá em casa? 

Nunca toco esse disco para o meu filho. Na verdade, nunca toco a minha música para ele. Acho isso estranho. O meu marido, quando está sozinho com ele, é que lhe canta as minhas canções. (Risos) A primeira vez que ele me viu atuar foi recentemente. Fiz dois concertos para crianças, com canções desse disco e o meu filho foi a um concerto meu. Foi super interessante vê-lo a reagir à minha música.

Como é que foram essas reações?

Foi incrível! Ao início achei que nem sequer estava a perceber que era eu. Depois, há uma canção que se chama Mãe e, nessa canção, ele veio ter comigo, pôs a mão no meu joelho e ficou ali. Eu emocionei-me muito! Tentei cantar o resto da canção, mas foi muito difícil.

 

 

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