Mariana Assis: “Agi e tive sorte”

por , 9 Janeiro, 2019

Mariana Assis tem 21 anos e é surfista. Habituada a viajar sozinha, nunca pensou que o perigo espreitasse mesmo a dois minutos de casa, no Estoril. Tudo aconteceu no dia 9 de novembro, por volta das 4h da manhã, quando Mariana regressava a pé, pela praia, depois de uma saída com amigas. Um homem, com uma faca na mão, tentou violá-la. Mariana teve o sangue frio para se defender.

POR CRISTINA FERREIRA | FOTOGRAFIA RUI VALIDO | STYLING CAROLINA FREITAS | MAQUILHAGEM E CABELOS TATIANA CRUZ (MARIANA) | MAQUILHAGEM E CABELOS INÊS FRANCO (CRISTINA) Agradecimentos Fábrica do Pão e LAS KASAS

 


CRSTINA FERREIRA: Olá, Mariana. Bem-vinda.

MARIANA ABECASSIS: Obrigada.

C.F. – Obrigada mesmo, por estares aqui. Já reparei que estás muito nervosa. É porque vamos falar de uma coisa que mexeu com tudo na tua vida.

M.A. – Mexeu. Mexeu, mas sinceramente creio que podia ter sido muito pior. E as coisas aconteceram de uma maneira que me deixam muito orgulhosa da forma como agi. Acho que estive bem. Não foi uma coisa boa, mas tornou-se muita coisa muito boa, enquanto podia ter sido uma coisa muito má.

C.F. – Tens que idade?

M.A. – Tenho 21 anos.

C.F. – Habituada já ao mundo. És surfista e estás habituada a andar sozinha. És uma miúda sem medos.

M.A. – Sou. Estou habituada a andar sozinha. Viajo sozinha. Já andei pelo mundo inteiro sozinha, é uma coisa que adoro fazer.

C.F. – Começaste com que idade?

M.A. – A viajar? Para aí com 14 anos. Ainda há pouco tempo fui ter com umas amigas ao México, onde tínhamos um campeonato. Depois, fui para Nova Iorque sozinha. Fiz imensos amigos. Costumo ir para a Austrália, para a Indonésia. Sempre sozinha.

C.F. – Sabes que costumas estar em sítios considerados perigosos, mas isso a ti nunca te fez confusão?

M.A. – Não.

C.F. – Portanto, sentias-te segura?

M.A. – Sim. Toda a gente considera Portugal um país muito seguro. Claro que há perigos, não tanto como se calhar noutros sítios do mundo. Agora percebi que, de facto, pode acontecer em qualquer parte do mundo.

C.F. – Sentias-te em casa, aqui?

M.A. – Claro que sim. Estava a dois minutos da minha casa.

C.F. – E o que é que aconteceu? Foste sair à noite?

M.A. – Sim. Fui sair à noite. Voltei sozinha. Era uma distância de dez minutos a pé.

C.F. – Que horas eram?

M.A. – Eram quatro horas da manhã. E estava a voltar sozinha a pé.

C.F. – Isso era habitual? Fazeres essa distância a pé?

M.A. – Sim. Sempre pensei que não se justificava chamar, por exemplo, um uber, quando são dois minutos de carro. E sabe bem, depois de uma noite, apanhar um pouco de ar.

C.F. – E fazias isso naquele dia tranquilamente, como fizeste tantas vezes.

M.A. – Sim. E sento-me sempre num banco que existe na Praia da Poça e penso: ‘Eu vivo num sítio do caraças’. Depois, quando ia a andar para a Azarujinha, fui abordada por um individuo e foi o que aconteceu.

C.F. – Vamos a esse momento. Sei que é difícil de recordar, e sei que há coisas que não podes contar, porque a polícia assim te disse para fazeres. Havia mais gente na rua?

M.A. – Não.

C.F. – Portanto, estavas a andar na direção de casa e foi uma pessoa só a abordar-te?

M.A. – Sim, foi uma pessoa e quando a vi já estava de faca na mão.


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