#Metoo o movimento que dá voz às mulheres vítimas de abusos sexuais

por , 18 Outubro, 2017

Hollywood foi abalada pelo maior escândalo sexual dos últimos tempos. Mais de 30 mulheres vieram a público denunciar os abusos sexuais de que foram vítimas por parte do produtor Harvey Weinstein. #Metoo é o movimento que surge agora para dar voz a todos estes casos, nas redes sociais.

Harvey Weinstein, um dos produtores mais mediáticos de Hollywood, responsável por filmes como “O Paciente Inglês”, “A Paixão de Shakespeer” ou “Kill Bill”, fundador dos estúdios Miramax e Weinstein Company, foi acusado por mais de 30 mulheres de assédio, abuso sexual e violação.

O escândalo rebentou no início do mês, com a investigação publicada pelo jornal New York Times que conta como, durante anos, o produtor fez acordos sigilosos com diversas mulheres para evitar denúncia em caso de abuso sexual. A atriz Ashley Judd, uma assistente e uma modelo resolveram quebrar o silêncio. Na investigação do jornal dão a cara e contam o que lhes aconteceu. Rapidamente, surgiram novos nomes na lista de vítimas de Weinstein.

Angelina Jolie, Cara Delavigne,Gwyneth Paltrow , nomes sonantes da indústria, assumem-se também elas como vítimas de abusos no início das respectivas carreira. O produtor, que tinha por hábito marcar as reuniões num luxuoso hotel em Beverly Hills, pedia-lhes favores sexuais em troca de benefícios na indústria.
Gwyneth Paltrow relata um episódio “aterrorizante” que viveu aos 22 anos: foi convidada para ir até ao hotel e o produtor sugeriu que lhe fizesse uma massagem.

O fundador da Weinstein Company já manifestou o seu arrependimento em alguns casos, mas nega a maior parte das denúncias. No entanto, a sua fama já era conhecida há muito tempo na indústria cinematográfica, embora o assunto não fosse trazido a público. “As mulheres têm falado entre si sobre Harvey há muito tempo e, simplesmente, já é mais do que altura de ter essa conversa publicamente” confessou Ashley Judd, a primeira vítima a falar, ao jornal americano.

A lista, que não tem parado de crescer, conta com nomes como Lea Seydoux, Sophie Dix, Rosanna Arquette, Mira Sorvino, Rose McGowan ou Asia Argento. Esta última que contou à revista New Yorker como o produtor a violou quando tinha 22 anos.

A demissão de Harvey Weinstein, da própria produtora “Weinstein Company”, aconteceu logo que a investigação foi publicada. A Academia de Óscares, depois de uma reunião com carácter de urgência no passado sábado, decidiu expulsar o produtor. “Não só nos distanciamos de alguém que não merece o respeito dos colegas, mas também enviamos uma mensagem clara de que o tempo da ignorância deliberada e da cumplicidade vergonhosa face aos comportamentos de agressão sexual e assédio no local de trabalho na nossa indústria acabou”, afirma a Academia.

Numa época em que o mundo digital acompanha instantaneamente casos polémicos como este, rapidamente surgiu uma onda de solidariedade para com as vítimas de assédio sexual nas redes sociais. A atriz e activista Alyssa Milano resolveu mostrar, na sua conta de Twitter, uma mensagem de uma amiga que sugeria que “se todas as mulheres que já foram vítimas de assédio sexual escrevessem ‘me too’ (eu também) nas suas publicações conseguiríamos mostrar a dimensão do problema”.

 

Milhares de testemunhos e comentários surgiram na conta da atriz. O pedido foi feito para que os casos de abuso e assédio sexual sejam denunciados. #Metoo é a hashtag que pretende identificar cada testemunho e que se torna assim um símbolo de encorajamento para todas as mulheres que mantém em silêncio histórias atemorizantes de abuso sexual.

 

 

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