A noite gritou: Time’s Up!

por , 8 Janeiro, 2018

A noite de prémios foi um manifesto contra os abusos sexuais e desigualdade de género.

A 75ª edição dos Golden Globes Awards decorreu ontem e, para além das premiações aos melhores filmes e séries, e das centenas de celebridades que desfilaram os seus looks (desta vez a maioria em preto), a noite foi marcada pelo escândalo que abalou a sétima arte nos últimos meses. As histórias de assédio sexual surgiram em catapulta, com o movimento #Metoo. Desta vez, as vozes que se têm feito ouvir, dizem que é tempo de acabar uma era de abusos e desigualdades. TIME’S UP (em inglês significa que acabou o tempo) é o projecto lançado por centenas de personalidades do cinema e da televisão, contra o assédio sexual e a desigualdade de género existente na indústria. Em forma de apoio a este movimento, na passada noite, a maioria das personalidades femininas surgiram na passadeira vermelha vestidas de preto e com um crachá apelativo ao movimento.

photo via: Rolling Stone

Este projecto tem como objectivo ajudar as mulheres com menos posses e que, consequentemente, têm menos oportunidades para se defenderem. Inclui um fundo legal que apoia as vítimas de assédio sexual no trabalho e visa, também, alterar o paradigma face à desigualdade na progressão de carreira das mulheres e à respectiva remuneração. Desde as acusações a Harvey Weinstein, em Outubro, este foi o primeiro evento que permitiu que Hollywood se manifestasse. E não foi só na passadeira vermelha que o protesto se fez sentir. Muitos foram os discursos em cima do palco que deram destaque a este tema e que incentivam a discussão sobre os direitos das mulheres.

A actriz Nicole Kidmam subiu ao palco para receber o Prémio de Melhor Actriz com a série Big Little Lies e não perdeu a oportunidade para relacionar os abusos retratados na série e na vida real, num discurso forte em que se referiu às suas colegas como “Power Women”. As actrizes Laura Dern, Elisabeth Moss e Natalie Portman também deixaram o seu cunho feminista em cima do palco, mas, o ponto alto da noite foi quando Oprah Winfrey recebeu o prémio carreira Cecil B DeMille. A apresentadora fez um discurso emocionante e recordou a história de Recy Taylor, uma mulher negra que foi violada por seis homens em 1944. Oprah relembrou, ainda, que não é apenas na indústria cinematográfica que existem abusos.

Esta noite, quero agradecer a todas as mulheres que sofreram abusos e agressões durante anos, porque elas são como a minha mãe: tinham crianças para alimentar, contas para pagar e sonhos para conquistar. Elas são as mulheres cujo nome nunca vamos saber. São trabalhadoras domésticas e agrícolas. São mulheres que trabalham em fábricas e em restaurantes, elas estão na Academia, engenharia, medicina e ciência. Fazem parte do mundo da tecnologia, política e negócios. Elas são as nossas atletas nos Jogos Olímpicos e as nossas soldados nas Forças Armadas. Quero que todas as meninas que nos estão a ver agora, saibam que há um novo dia no horizonte! E quando esse dia finalmente amanhecer, será graças a estas magníficas mulheres, muitas delas estão nesta sala neste momento, e também a alguns homens fenomenais, lutando, arduamente, para terem a certeza que se tornaram nos líderes que nos levarão a um dia em que ninguém terá de dizer novamente me too!

 

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