Oksana Tkach: «Não tenho medo das críticas!»

por , 30 Novembro, 2017

Com uma beleza singular, a jovem ucraniana que aos quatro anos de idade adotou Portugal como o seu país, dá vida a Inês em O Fim da Inocência, o último filme de Joaquim Leitão. Motivo suficiente para conversarmos com aquela que, seguramente, ainda vai dar muito que falar.

Por Xavier Pereira

Tens 20 anos, experiência como modelo e apenas duas participações pontuais em projetos de ficção. Como é que, de repente, te tornaste protagonista deste filme?

Isto começou há três anos, quando recebi um telefonema da minha agência a perguntar se eu, alguma vez, tinha pensado em fazer cinema ou televisão e se queria experimentar representação. Na altura, a Mi Romano disse-me que o Nicolau Breyner estava a fazer um casting para um filme. Só de ouvir o nome fiquei nervosa e disse que ia ao casting, claro! (Risos) Passado um tempo, fui chamada para uma segunda audição, mas entretanto, o Nicolau morreu e o projeto ficou suspenso. Passado um ano, sei que voltaram a pegar no projeto, pela mão do Yuri Alves. Mais uma vez, acabou por não avançar e passou mais um ano. Pensei que, se calhar, era porque não tinha de ser, mas acabou por ser.

E como é que foi ser escolhida?

Foi «wow, o quê?». Porque sabia que tinham ido muitos atores com muita experiência fazer os castings. Saber que, ao meu lado, tinha a Alba Baptista… À terceira foi de vez! O filme avançou e eu faço parte.

Como é que foi toda a experiência?

Foi desafiante. Eu não tinha formação em representação. O que aconteceu é que, durante a rodagem, fui sendo acompanhada de perto pela Rita Alagão, que me deu bases e me apoiou sobre as noções que eu precisava para fazer o filme. Foi complicado e fácil, ao mesmo tempo. Criámos muita química entre o elenco e ficámos amigos e unidos. Fomos todos escolhidos a dedo. Depois, tive todo o apoio da produção e do próprio Joaquim Leitão.

As gravações de todo o filme duraram, apenas, um mês?

Sim. Foi tudo muito intenso e muito rápido, o que também acrescentou alguma dificuldade. Filmar todos os dias sem ter qualquer experiência foi duro e foi bom.

Filmaste cenas mais fortes, tocaste piano, foi mais do que dizer só umas falas.

Sim. Tocar piano foi menos difícil, porque sei tocar. No filme sou mesmo eu! (Risos.)

Então isso foi mais fácil, mas existiram outras cenas que acredito que tenham sido mais complicadas…

Sim. Houve cenas desconfortáveis, precisamente, porque eu saí da minha zona de conforto. Eu, Oksana, não sou, nem de perto, nem de longe, como a minha personagem, a Inês. Durante a rodagem, percebi o quão conservadora sou. Não tenho mesmo nada a ver com a personagem. Nunca tinha fumado, até chegar a este projeto.

Como é que foi confrontares-te com o lado de excessos da tua personagem?

Não tem nada a ver comigo, mas tenho noção de que muita gente da minha geração tem alguns daqueles comportamentos, mas cada um sabe de si. Não acho correto, mas cada um é que tem de avaliar as consequências das suas ações.

O filme chega esta semana às salas. Estás preparada para as críticas?

Caro que sim! Vou assumir tudo o que fiz e vamos ver o que as pessoas dizem. Não tenho medo das críticas. As boas e as más hão de me fazer crescer! Vamos ver o que o público vai dizer. O que eu espero é que as pessoas, quando saírem da sala de cinema, reflitam sobre o que acabaram de ver.

Depois do filme, o que é se segue, na tua ainda muito curta carreira?

Vamos ver. Ainda não tenho a certeza do que quero fazer. Estou a estudar Ciência Política e Relações Internacionais e estou a adorar. Estou mesmo a amar! Imagino-me muito a trabalhar nessa área, mas pronto, vamos ver as oportunidades que forem aparecendo.

  • Comentários

    Artigos relacionados