PERGUNTE AO DR. QUINTINO

por , 20 Junho, 2017

Estimado Dr. Quintino, escrevo-lhe porque tenho um sonho que, parece-me, nunca conseguirei realizar. Procuro o seu conselho. O sonho da minha vida é casar-me. Felizmente, tenho um namorado que adoro e me adora. O problema é que ele não quer casar-se e já me propôs que nos juntássemos e vivêssemos em união de facto. Sugestão que acolhi com fingida alegria, mas que me provoca a mais profunda tristeza. Não tenho coragem para assumir a desilusão quando os amigos ou familiares me perguntam porque razão não me caso. Por norma, respondo que o casamento é, apenas, um papel assinado e, também, uma enorme despesa. No entanto, o meu sonho é entrar na igreja com um maravilhoso vestido branco. Não sei se me conforme ou se, pelo contrário, tente que o meu companheiro mude de ideias. O que me diz?…

- Maria Antónia

Minha querida Antónia. Que bom que tem um sonho. São exatamente os sonhos que nos fazem amar a vida e são eles também o que nos torna diferentes dos animais. Os sonhos sempre se referem a algo futuro e, por isso, são parte da consciência dentro na nossa personalidade. Um grande pensador escreveu um dia que uma aranha pode envergonhar qualquer mestre-de-obras pela beleza e perfeição da sua teia. Mas nunca, nenhuma aranha, será capaz de planear, antecipadamente, a sua obra antes de ela existir. Sonhar é “coisa boa” dos humanos. No que respeita ao “sonho de se casar”, devo confessar que sou fã nº 1 do casamento. Do casamento de papel passado e assinado, apesar de chegado aos 50 anos ainda solteiro… Casar significa que assumimos para nós próprios que é com aquela pessoa que queremos partilhar a nossa vida. Aquela pessoa e nenhuma outra. Um compromisso, um ato de consciência, que exige que cada um se depare consigo mesmo ao analisar o que quer realmente para a própria vida, e quem é aquela pessoa que está a eleger. Entendo mesmo que se trata do mais elevado ato de consciência com que cada pessoa se depara ao longo de toda a vida. Claro que este processo exige um grande trabalho interior. Não se decide aceitar uma qualquer pessoa de ânimo leve. ‘Assinar o papel’ tem exatamente a função de nos fazer parar e pensar. Mas passado esse grande desafio, o casamento permite àqueles dois um formato de vínculo emocional inigualável e proporciona uma expansão única da personalidade de cada um. Por isso é tão nobre. Nada tem a ver com a união de facto, que seria uma espécie de ‘ter um-pé-dentro-outro-fora’, numa atitude de “parece-me muito bom, mas pode ser que um dia apareça alguém ainda melhor…” Quando o seu namorado lhe propôs que se juntassem e que vivessem em união de facto, estava apenas a sugerir-lhe um prolongamento do namoro, com pequenas diferenças. E a Antónia não devia ter fingido alegria. A base de qualquer relação amorosa é a honestidade e o que o seu coração sentiu foi tristeza. E também não deve mentir quando lhe perguntam porque não se casa. Se sempre mentir quando fala de algo tão importante para si, a sua vida será sempre uma mentira e nunca conseguirá ser feliz. Percebo que poucas vezes estamos preparados para as respostas importantes. E também compreendo que séculos de horrorosos matrimónios afastem hoje tanta gente do casamento. O que é muito triste, mas não tem que continuar a ser assim. De tudo o que sei, só existe um caminho para mudar a sua vida. Comece hoje mesmo a ler sobre Amor, Namoro, Paixão, Casamento. Partilhe com o seu namorado e conversem os dois sobre o que leram. Descubram filmes, letras de canções, exposições de arte sobre amor e casamento. Este é o caminho certo para trazer luz ao pensamento e afastar medos inconscientes. E muito provavelmente, se realmente se amam um ao outro, será o caminho mais seguro e curto para chegarem ao altar. E se tiver de se conformar, que seja por desistir de um namorado que não quer se casar e nunca por

desistir do seu sonho de verdadeiramente amar.

- Dr. Quintino

 

 

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