“PRESSENTI A MORTE DO MEU FILHO”

por , 22 Maio, 2017

É jornalista desde os 18 anos e uma das mais reconhecidas do país. Morreu-lhe um filho. Há uma Judite antes e uma Judite depois.

C.F. – E quando está tudo tão certinho, como é que se recebe um telefonema a comunicar que… houve um problema?

J.S. – [voz embargada] Sabes, Cristina, eu estava numa festa de anos, na madrugada de 27 para 28 de junho [de 2014]. Eram três e meia da manhã. Eu estava com um grupo de amigos e senti-me profundamente mal. Indisposta. Algo me dizia que qualquer coisa estaria a acontecer. Despedi-me dos meus amigos à pressa dizendo-lhes que me estava a sentir mal e que queria ir para casa. Estava no Tamariz [Cascais]. Meti-me no carro e em 15 minutos cheguei à casa onde vivia na altura, no Chiado, em Lisboa. Estava a meter a chave à porta, por volta das quatro da manhã, quando o meu telefone toca. Do outro lado da linha estava um dos melhores amigos do meu filho que me diz: “o André teve um acidente. Passo agora mesmo em casa da Judite e vamos para o Hospital de São Bernardo, em Setúbal.” Troquei imediatamente de roupa, fui para a porta do meu prédio e passado cinco minutos, o Manuel chegou. Mas quando o amigo do meu filho me telefonou, eu senti que o meu filho… [pausa] não estaria vivo já. Algo me disse que o meu filho já não estaria vivo. E a verdade é que o meu filho não estava vivo. O meu filho… [emociona-se] caiu… Bateu com a cabeça num muro e entrou, imediatamente, em morte cerebral. O coração foi recuperado, o pulso foi recuperado por um amigo médico que estava com ele e, a partir daí, é aquilo que as pessoas sabem. Durante dois dias, o meu filho esteve ligado a uma máquina de suporte de vida [emociona-se].

C.F. – E durante esse período nunca tiveste esperança?…

J.S. – Eu, todos os dias, dava notícias sobre pessoas que estavam em morte cerebral. Todos os dias. Eu sabia o que era estar em morte cerebral.

C.F. – Como é que te despedes do teu filho?

J.S. – [emociona-se] O meu filho partiu com um ar sereno, feliz, com um ligeiro sorriso e muito tranquilo. O meu filho não sentiu o que lhe aconteceu. E se há algo que me conforta na vida é saber que o meu filho não sofreu. Isto foi-me garantido pelos médicos.

A produção fotográfica e a entrevista foram feitas na Carpintaria de São Lázaro. Um novo espaço artístico na capital, mais concretamente entre a Mouraria e o Martim Moniz. Este novo centro artístico agrega música, teatro, dança, gastronomia e artes plásticas e pretende ainda dar destaque à grande variedade de nacionalidades presentes em Lisboa.

 

Pode ler a entrevista completa na revista impressa ou na versão digital aqui.

  • Comentários

    Artigos relacionados