Quando a mulher ganha mais que o homem

por , 30 Maio, 2018

É pouco comum. Muito pouco comum. A comprová-lo está a dificuldade que tivemos em encontrar testemunhos para esta reportagem. Ainda assim, os três depoimentos que se seguem, de duas mulheres e um homem, mostram diferentes formas de lidar com o assunto.

POR: Xavier Pereira

“Nunca me senti superior a ele por isto”

Leonor, assistente social

“Ao final do mês, levo para casa perto de dois mil euros. É quase o dobro do vencimento do meu marido. No entanto, entre nós, este assunto nunca mereceu grande importância. Até hoje, não senti que ele ficasse incomodado por eu ter um ordenado superior ao dele. É a vida!

No nosso caso, é um bocadinho óbvio que assim seria. Eu tenho duas licenciaturas, na área das ciências sociais. Ele não tem qualquer formação superior.” Relacionando o nível salarial com a formação académica, faz sentido que, entre nós, eu ganhe mais que ele. Ainda assim, nunca me senti superior a ele por isto. Creio que ambos desvalorizamos o tema.

Estamos juntos há quase vinte anos e tem sido sempre assim. O único momento, em que isto não se verificou, foi quando eu trabalhei só em regime de part-time. Aí, obviamente, eu tinha honorários mais reduzidos.

Em termos familiares, quem faz a gestão do orçamento sou eu. Se lha entregasse, seria complicado. (Risos) Ele é muito impulsivo nos gastos, ia comprar tudo o que lhe aparecesse à frente! (Risos)

No meu círculo de amigos, conheço mais casos como o nosso, em que a mulher ganha mais. Tal como na minha situação, não creio que, para eles, esta seja uma questão sensível. É como tem de ser. Confesso que, até hoje, nunca tinha pensado nisto como algo que pudesse potenciar algum conflito entre o casal. Na minha opinião, o que importa é que ambos trabalhem para o mesmo, ou seja, que ambos tentem garantir o melhor para a família. No meu caso, não tenho dúvidas: conto com esse esforço por parte do meu marido, mesmo que ele ganhe menos.

“Entre mim e o meu marido, este tema é muito sensível”

Marta Pereira, publicitária

“Este talvez seja o único assunto que eu e o meu marido nunca abordamos. Entre nós, este tema é muito sensível. Ambos temos formação superior. Eu trabalho em Publicidade, ele em Marketing. No entanto, o meu vencimento é de dois mil euros, enquanto o dele não ultrapassa os 1200 euros. 

Separam-nos 800 euros, uma diferença anda significativa e o suficiente para eu achar que ele se sente inferior a mim, apesar de nunca mo ter dito (…)”

 


Leia o testemunho de Vitor, auxiliar de serviços gerais, que aos 49 anos ganha menos que a mulher.
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