Quando é que as crianças têm noção do que é o sexo?

por , 26 Setembro, 2019

A partir de que idade devemos instruir as crianças sobre sexualidade? Serão os pais a melhor fonte de informação? Falámos com três mães e uma especialista e estas foram as respostas.

por MARGARIDA MENINO FERREIRA

Falar de sexo com as crianças nem sempre é tarefa fácil para os pais. Além da vergonha – que é tantas vezes impedimento por parte dos pais e dos filhos –, existe ainda algum receio em falar cedo demais. Marta Berenguer é mãe de dois gémeos de seis anos de idade. Os pequenos ainda não fazem muitas perguntas: “Não creio que tenham noção, e também acho que, nos dias de hoje, há quem queira tornar as crianças adultas antes do tempo. Tudo tem o seu tempo. Respondo com a verdade, e de forma simples, quando fazem perguntas, mas sem entrar em grandes pormenores, a não ser que insistam, e explico o que entendo que tenho de explicar”.

Assim se organiza o conhecimento que as crianças têm deste domínio, segundo explica a sexóloga Vânia Beliz: “aos 2 anos as crianças parecem identificar corretamente o sexo dos outros (sem que consigam, no entanto, explicar as suas diferenças), e usam termos incorretos para descrever os genitais; aos 3 anos explicam o conceito de identidade de género com base nas características culturais; aos 4 anos apresentam ideias básicas sobre o crescimento intrauterino e sobre o processo de nascimento; aos 5 explicam a identidade de género com base nas diferenças genitais, e, aos 6 anos, parecem ter conhecimentos mais complexos em relação, por exemplo, ao nascimento, fazendo eventual referência a diferentes formas de nascimento”.

Os filhos de Marta já começam a mostrar alguma vergonha em olhar para os corpos nus. Sabem que são diferentes e como nascem os bebés, mas ainda não mostram grande curiosidade pelo assunto. A maior parte da informação que sabem foi-lhes transmitida pela mãe, apesar de já terem abordado algumas questões na escola. Segundo Vânia Beliz, o grande desafio, de educar a sexualidade, é que a maior parte dos programas foi pensada para um público-alvo adolescente, deixando de lado a abordagem formal às crianças mais novas. “As crianças, em idade de creche e pré-escolar, apresentam um conjunto de comportamentos que se explicam e justificam com a curiosidade normal desta etapa do desenvolvimento infantil, pelo que é da maior importância que se abordem desde logo estas temáticas. A crescente preocupação com a violência sexual, na infância, faz com que o conhecimento da sexualidade, por parte das crianças em idade de creche e pré-escolar, assuma toda a relevância. A idade e o conhecimento da sexualidade são fatores apontados, em inúmeros estudos, como fatores protetores importantes para prevenção do abuso sexual”.


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