“Se realmente existe Deus, deve andar um pouco ocupado, tem mais coisas para fazer e esquece-se um bocadinho de mim, não sei”.

por , 15 Fevereiro, 2018

Numa conversa franca e sem rodeios, Rebeca, ou melhor, Cláudia, abre o coração e conta como tem encarado o pior pesadelo da sua vida.

POR CRISTINA FERREIRA | STYLING CAROLINA FREITAS | FOTOGRAFIA ISABEL SALDANHA | MAQUILHAGEM INÊS FRANCO

CRISTINA FERREIRA – Querida Rebeca, é tão bom ter-te aqui ao pé de mim!

REBECA – Olá, minha princesa. Eu é que agradeço.

C.F. – Devo confessar que quando soube, quando tu me contaste, fiquei sem palavras. Porque só me lembrava das vezes todas que te recebi no Você na TV e de como tu estavas feliz, porque tinhas ultrapassado o outro problema de saúde. Tinhas projetos, estavas a seguir em frente e eu só pensei: ‘Outra vez?!’ Foi aquilo que tu sentiste também?

  1. Foi. Há oito anos, achava que o mundo tinha desmoronado em cima de mim. Mas não. Consegui ultrapassar totalmente, como tu sabes. Fui ao teu programa, falei contigo e com o Goucha. Estava tão feliz. Realmente, consegui ultrapassar um cancro na tiroide, que foi fácil. Hoje em dia, penso que foi fácil. Fácil, porque hoje tenho um pior. Tenho, não, já tive (Risos). Já tive. Mas, oito anos depois, ter um cancro novamente não é pera doce.

C.F. – Eu acho que, quando se tem um cancro, muda tudo. Eras muito atenta? Ficaste muito preocupada com tudo o que estava relacionado com a tua saúde?

  1. Sempre fui muito preocupada com a minha saúde. Sempre. Desde nova. Aliás, os meus livros eram de saúde. Eu ia para a praia com as minhas colegas e levava os meus livros. Sempre tive uma obsessão muito grande por cancro. Sempre quis saber.

C.F. – Tinhas alguém na família com cancro?

  1. Não. Nada. Ninguém tem cancro na minha família. Graças a Deus.

C.F. – Porque é que querias ler sobre o assunto?

  1. Não sei. Eu sempre tive uma obsessão muito grande por perceber o que era o cancro e perceber diversas coisas sobre ele. Sempre me fez muita confusão. Nunca na vida pensei ter um cancro na tiroide com 30 anos e agora, com 38 anos, ter novamente um cancro.

C.F. – Tu dizes que realmente aquele foi fácil de ultrapassar. Fizeste o quê, uma cirurgia?

  1. Eu tinha um tumor maligno na tiroide. Estava encapsulado. Era um carcinoma papilar, dos mais simples. Não foi preciso mais nada. Foi cirurgia, tirar e lixo. Ficou resolvido.

C.F. – Mas foi o embate da doença…

  1. Levou-me muito abaixo. Eu lembro-me, perfeitamente, que estive 18 dias sem ir à rua. Pensei que ia morrer. Na minha cabeça, eu ia morrer, porque a palavra cancro… Tinha 30 anos e a palavra cancro… ‘Se eu tenho cancro, eu vou morrer’. Achava eu. Mas não. Comecei a perceber que não era assim e que havia vários caminhos e que o cancro da tiroide não é assim tão agressivo. Não era agressivo e, ainda por cima, papilar, era o melhor deles todos. Fiquei tão feliz, quando realmente percebi que tinha uma saída. Não foram necessários os tais tratamentos, o iodo radioativo. Nada. Resolveu-se a situação e, passado um ano, é que eu resolvi falar, porque eu escondi-me totalmente em casa. Nunca apareci.

C.F. – Porquê? Porque não eras capaz de enfrentar as pessoas

  1. Porque tinha vergonha, não me sentia bem em dizer que tive cancro. Não fazia parte de mim.

 

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