Reportagem | Violência na adolescência

por , 24 Outubro, 2018

À porta de uma das muitas escolas Básicas e Secundárias de Lisboa, são vários os alunos que esperam pelo toque. Em conversa, todos sem exceção souberam contar, pelo menos, um episódio de violência no namoro, de que tivessem tido conhecimento. Essas histórias foram sofridas em silêncio pelas vítimas, e nunca os pais ou os professores chegaram a saber.

POR: Margarida Menino Ferreira

Passava pouco das 9 horas da manhã, do primeiro dia de aulas. À porta de uma escola Básica e Secundária, em Lisboa, juntavam-se os colegas. Entre abraços e festejos, de quem se separou por dois meses de férias, a alegria de contar todas as novidades começa de imediato. Nos tempos de escola, os meses de verão parecem uma eternidade que separa os grandes amigos. Há novos amigos, novos namorados, episódios para contar. É naqueles minutos antes do toque, ainda à porta da escola, que se relatam as primeiras novidades, as mais importantes. “Sabes quem voltou a dizer que gostava de mim?! O Mendes! Dá para acreditar?”, pergunta uma das alunas à amiga que não via desde o último dia de aulas.

Do outro lado da estrada, sentados no passeio, estão Andreia e Tomás, nomes fictícios de dois alunos de 16 anos, que frequentam a mesma escola. São namorados há mais de um ano. “Falamos de tudo, não temos segredos. Por exemplo, cada um tem a sua conta nas redes sociais, mas eu entro na dele e ele na minha”. Perguntei-lhes por que razão o fazem. “É só por curiosidade”, responderam. “Curiosidade ou controlo?”, perguntei. Não souberam responder. “A malta gosta de se meter com quem tem namorado, e ninguém gosta disso. Há miúdas que pedem para o seguir, ou a mim, só para depois mandar mensagens”. Andreia permite que o Tomás tenha acesso às suas redes sociais, para que veja com quem ela fala, e o mesmo acontece ao contrário. “Fazemos isto porque, quando começámos a namorar, houve um rapaz que pediu para a seguir e ela aceitou. Depois disso, ele começou a mandar-lhe fotografias todo nu. Não gostei, como é óbvio. A partir daí, comecei a ficar de pé atrás”, conta Tomás.

Andreia já teve alguns namorados. O primeiro foi aos 11 anos, e o segundo aos 13. “Acho que sei o que é violência no namoro, já passei mais ou menos por isso. O namorado que tive quando tinha 13 anos chegou a empurrar-me e a chamar-me nomes. Acabei logo com ele, era muito possessivo”. Depois de alguns minutos de conversa, lembraram-se de um episódio ao qual toda a escola assistiu: “Uma vez, aqui na escola, um colega nosso deu um estalo à namorada. Foi no intervalo, no pátio da escola, toda a gente viu. Eu [Andreia] fui a correr para ela. Estava a tremer, não queria falar com ninguém, estava cheia de vergonha. Ele disse ao Tomás que não sabia porque é que o tinha feito, que não estava em si, e que estava arrependido. Pediu-lhe desculpas e depois voltámos a vê-los juntos”.

 


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