Ruben Rua: “Transpareço um homem muito seguro e confiante. Essa é a imagem que tenho de mim”

por , 23 Maio, 2019

Ruben costuma despir-se. Talvez nunca como aqui. É que para lá do corpo há coração, emoção e, mais o que tudo, razão.

por CRISTINA FERREIRA fotografia GONÇALO CLARO styling CAROLINA FREITAS maquilhagem LEANDRA OLIVEIRA cabelos CRISTINA RODRIGUES assistência à fotografia HENRIQUE GONÇALVES agradecimento MANJERICA

 

CRISTINA FERREIRA – Ruben Rafael, estás nervoso? (Risos)

RUBEN RUA – Maria Cristina. (Risos) Estou ansioso.

C.F. – Porquê?

R.R. – Porque queria esta entrevista há muito tempo. Por seres tu. Por gostar muito de ti. Sabes que eu te adoro muito? E vou contar-te aqui uma coisa. Tenho uma folha na agência, onde escrevo coisas pendentes. Coisas como: ligar ao Ricardo, adjudicar o orçamento 39, a marca X que tem um assunto qualquer. E na minha primeira linha, tenho um quadradinho que diz: revista CRISTINA.

C.F. – A sério?

R.R. – Sim. Há muito tempo.

C.F. – Porque é que nunca me disseste?

R.R. – Porque há coisas que estão guardadas e que chegam no tempo certo. E esse quadradinho que eu, todos os dias, escrevo novamente – porque aquela folha tem de ir para o lixo e amanhã eu faço uma nova –, tem de ser riscada. E acho que a minha vida tem sido essa, escrever quadradinhos que, no dia seguinte, riscamos. E assim sou muito feliz.

C.F. – És assim desde miúdo? Vais escrevendo alíneas na tua vida, como metas?

R.R. – Desde miúdo que tenho objetivos e me envolvo em projetos novos e luto por eles. Enquanto fizerem sentido, mergulho e absorvo aquilo tudo e, todos os dias, penso e visualizo-os. Às vezes, coisas e sonhos até um bocadinho longínquos. Num dia, quando já não faz sentido ou foi atingido, automaticamente desaparece. E houve muitas coisas que cortei, literalmente, de um dia para o outro. Só porque surgiu uma coisa nova.

C.F. – És insatisfeito? Largas as coisas facilmente e arranjas outras?

R.R. – Acho que sou um bocadinho insatisfeito. Hoje, acho que já estou melhor. Durante muito tempo, celebrei pouco algumas vitórias. Porquê? Porque não as sentia enquanto vitórias. Sentia: ‘Ok. Já fiz aquilo. Por isso, next. Próximo objetivo’. Quando as coisas corriam menos bem, às vezes, ficava ali a digerir o facto de ter corrido menos bem e até fazia um bocadinho de drama. E acho que hoje já consigo relativizar as coisas boas e as coisas menos boas também.

C.F. – Estás a digerir a televisão e a forma como apareceu?

R.R. – Ainda estou a digerir, sem dúvida. Porque foi uma forma muito inusitada, muito inesperada. Se houve coisas que fiz na minha vida, porque sabia que queria fazer ou porque houve um momento em que disse: ‘Eu quero ir por aqui. Eu quero ser modelo’. A televisão não foi assim. ‘Ruben, o que é que tu achas, de fazeres uma reportagem no Portugal Fashion para a RTP2?’ ‘Ok, vamos’. Passado uns meses – esta história é muito engraçada (Risos) –: ‘Olha Ruben, o teu nome foi sugerido para um especial no Oceanário de Lisboa, que faz 18 anos no sábado, pela Cristina. Será com a Rita Pereira também. Queres ir? Vai ser em direto’. E disse que sim. Naquele momento, a minha vida mudou. Se a RTP2 foi a primeira oportunidade, a TVI e tu foram a grande oportunidade. Acho que aquele sábado mudou o rumo das coisas. Desde esse sábado até hoje, fui tendo várias oportunidades. Fui aprendendo. Fui evoluindo.

C.F. – Mas andaste aí um bocadinho perdido.

R.R. – E ando.

C.F. – Digo isto, porque te conheço. (Risos) Esta entrevista é difícil, porque sei tudo de ti.

R.R. – Sabes tudo.

C.F. – E andaste aí cheio de dúvidas sobre o que querias.

R.R. – E ando. Primeiro, porque acho que ainda não senti que a minha grande oportunidade televisiva tivesse chegado. Aquela em que dizes assim: ‘O miúdo é bom’. Ou dizes: ‘O miúdo não é bom. É mau. É péssimo’. E eu próprio possa dizer assim: ‘Eu gosto disto. Gosto muito de fazer isto. Vejo-me a fazer isto. Consigo fazer isto’. Até agora, tenho tido um batimento cardíaco lento. Bate hoje, e daqui a um mês voltas. Ou até tens uma experiência contínua, como o First Dates [programa da TVI apresentado por Fátima Lopes], por exemplo, mas que depois finaliza. Portanto, tem sido algo inconstante. Apesar de, de uma forma geral, a coisa se ir mantendo, não tive aquela exigência diária de ‘hoje, faço uma coisa, amanhã, faço outra e depois outra’. E que chegas ao fim e digas: ‘Consegui’ ou ‘Não consegui’, ‘Eu sou bom’ ou ‘Não sou bom’. Por outro lado, penso muito na vida. Penso muito nas coisas.

C.F. – Pensas até de mais. (Risos)

R.R. – Às vezes, até penso de mais. Não é que me sinta perdido, mas, às vezes, pergunto-me: ‘Será que estou a fazer a coisa certa? Será que tudo o que faço, na minha vida, faz sentido? Será que devo fazer tudo? Será que não devo fazer tudo? Será que é por aqui? Será que, aos 32 anos, é esta a vida? O caminho certo é este? Será que não havia outro melhor?’


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