Sadomasoquismo, do pensamento ao ato

por , 24 Junho, 2019

O mundo do BDSM rompe padrões sociais e muitos querem perceber o que leva um dominador e um submisso a adotarem estas práticas. A maioria fica surpreendida quando os conhece e percebe que são pessoas comuns, de várias idades, com trabalhos exigentes e família construída.

POR ANA FILIPA NUNES

São pais de família, casados e com filhos. Vivem o sadomasoquismo de forma paralela e secreta e, por isso mesmo, pedem para não ser identificados.

A dominadora entrevistada tem 60 anos, filhos crescidos e um trabalho de responsabilidade, na área do entretenimento. Um dia, já com os filhos quase criados, foi abordada por um homem mais novo que lhe falou sobre o sadomasoquismo. O rapaz já tinha tido uma experiência com uma dominadora e procurava uma nova “rainha” em quem confiasse.

“Não foi nada programado, não foi nada pensado. Posso dizer que eu sou o que sou hoje por causa do meu primeiro submisso. Foi ele que descobriu este meu lado”.

A partir desse momento tudo mudou. O relacionamento foi de vários anos, à semelhança dos que se seguiram. Hoje tem três submissos, a seu cargo, e costuma encontrar-se com cada um deles uma vez por semana.

“Eu gosto deles, mas não vivia com eles. Este género de relação, entre uma dominadora e um submisso, com este tipo de fetiches, acabava por se diluir. Iria quebrar o distanciamento. Eu nunca permito a um submisso que me trate por tu, aliás, eu nunca tive, com os meus submissos, sexo ‘baunilha’. Todo o prazer que tenho é como dominante”.

Ser dominadora exige estudo, conhecimento e consciência. Um mundo sem estereótipos, mas com a certeza de que uma “rainha” é naturalmente uma pessoa segura.

“Nós temos muita responsabilidade. Temos uma pessoa que confia em nós e estamos a bater-lhe. Temos de ter noção de que não podemos ultrapassar determinados limites, não podemos deixar marcas permanentes. Nós não estamos a violar. Podemos até simular uma violação, mas é algo que é programado”.


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