Sem tempo para serem crianças

por , 27 Junho, 2018

O dia começa e a quantidade de tarefas e atividades parece não terminar. Depois da escola, segue-se o ATL, o futebol, ou a natação, o inglês e ainda os escuteiros, que fazem os fins de semana desaparecer, com um número crescente de atividades. Ainda que lhes façam bem, qual será a medida certa?

Por: Margarida Menino Ferreira

As primeiras sete horas do dia são passadas na escola. Entre as aulas de matemática, português e ciências, sobram ainda páginas intermináveis de trabalhos de casa. Depois disso, as crianças dividem o seu tempo como pequenos executivos. A organização é o segredo para o sucesso. Sabem que os trabalhos têm de ser feitos logo após as aulas, para que depois possam ir para as várias atividades extracurriculares. Chegam a casa, muitas vezes, em último lugar. Têm ainda de jantar e ir rapidamente para a cama, de modo a que no dia seguinte haja energia para fazer tudo outra vez.

São crianças e achamos que a sua energia é inesgotável. Tal como os adultos, as crianças também precisam de descanso e de tempo para brincar. Apesar de as atividades extracurriculares desenvolverem várias das suas capacidades, é no tempo de repouso que descobrem, com frequência, aquilo que realmente gostam de fazer. Embora eles não saibam explicar como se sentem, cabe-nos estar atentos. As dores de cabeça constantes, a tristeza, a recusa em ir à aula, os distúrbios de sono, ou o baixo rendimento escolar são alguns dos sintomas que revelam situações de sobrecarga.

A importância do descanso

A pequena Bia, de seis anos, está no primeiro ano e, no início do ano letivo, frequentava aulas de ballet duas vezes por semana, natação ao fim de semana, e sevilhanas uma vez por semana. Nunca gostou da natação, mas os pais insistiram, por acreditar que era importante para o seu desenvolvimento. O ballet, que pratica desde os três anos, e as sevilhanas foram também indicados pela mãe. Apesar de gostar destas atividades, há muitas outras que a Bia queria experimentar. Quando o ano letivo começou, chegava a casa quase todos os dias às 20h. A azáfama de ter de a transportar para as várias atividades durou quatro meses, até que os pais, Margarida e João, decidiram mudar as rotinas da filha. “Ela andava cansada, e a aprendizagem na escola começava a refletir isso. Teve algumas dificuldades em adaptar-se à escola, é sempre uma mudança grande para as crianças.

 


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