Terapia de casal | Em busca de salvação

por , 2 Junho, 2018

Quando Joana descobriu que Artur a tinha traído, a relação ficou condenada. Com o objetivo de a salvarem, recorreram à terapia de casal. Descubra se resultou.

POR: Xavier Pereira

“Na primeira sessão, iniciou-se um trabalho que se antevia longo e complicado. Nada do que o Artur dizia era bem recebido da minha parte”.

O meu nome é Joana, tenho 35 anos de idade, moro em Coimbra, e fui eu quem decidiu, numa primeira instância, recorrer a ajuda especializada. Essa decisão surgiu depois de ter descoberto que o meu companheiro, Artur, me tinha traído. Quebrou-se, ali, uma confiança que tínhamos vindo a construir. Depois de dois anos de namoro, decidimos morar juntos. Quando tudo aconteceu, já partilhávamos teto. Na altura, foi muito difícil. Não estava a contar, descobri tudo de forma muito fortuita. As provas eram evidentes. Aquele momento foi marcante.

Saí de casa e procurei refúgio junto de uma amiga de família. Sentia-me destruída. Com o passar do tempo, as peças estavam a demorar a juntar-se, de novo. Foi aí que percebi que havia de beneficiar de ajuda profissional. Inicialmente, estava a pensar só em mim, mas o Artur não aceitava o meu afastamento e, desde logo, mostrou-se disponível, no sentido de tentar o necessário para reatar a relação. Foi assim que chegámos até à consulta de crise no relacionamento, da Unidade Psiquiátrica Privada de Coimbra.

Segundo a doutora Tânia Silva, coordenadora do gabinete, e uma das técnicas responsáveis pelo nosso acompanhamento, a traição é um dos principais motivos de pedidos de ajuda, por parte de casais. As questões financeiras, a estagnação das relações, as vidas individualistas ou as dificuldades de comunicação, entre os dois, são outras razões frequentes. No meu caso, em particular, a origem do problema foi a traição. Com ela, chegou, também, a quebra de confiança e a dificuldade em comunicar de forma controlada (…)

“O caso que motivou a traição tinha durado pouco tempo e, desde que eu o confrontei, ele nunca o negou.”

As sessões

Quando chegámos, o espaço era o habitual, neste tipo de situação. Havia uma receção e uma sala de espera, com algumas cadeiras. Depois de um breve compasso, fomos encaminhados para um gabinete. Entrámos numa sala, onde existia uma secretária, com algum material informático, e uma zona de maior informalidade, com sofás e poltronas. Sem pensar muito, o Artur e eu encaminhámo-nos para o sofá maior. Deixámos os cadeirões para a doutora Tânia Silva. Todo o gabinete estava decorado em tons claros e cinza. Era moderno e, ao mesmo tempo, acolhedor. Desde o início, senti-me bem naquele lugar.

Na primeira sessão, iniciou-se um trabalho que se antevia longo e complicado. Nada do que o Artur dizia era bem recebido da minha parte, reagia sempre mal. A tolerância teve de ser trabalhada.

Quando aceitámos fazer a terapia, estávamos em fases diferentes. Eu só o via como culpado de tudo. Ele já tinha iniciado o processo de resolução do problema. O caso que motivou a traição tinha durado pouco tempo e, desde que eu o confrontei, ele nunca o negou, sempre respondeu às minhas perguntas.

A verdade é que o Artur aceitou fazer terapia, porque queria reatar comigo. Já eu, precisava daquilo para aprender a lidar com tudo. No arranque, as consultas foram mais frequentes. Começámos por ir de quinze em quinze dias. Naquela altura, sei que duvidei muito do empenho dele. Estava muito crítica. Eram-nos dados trabalhos de casa e eu não via neles qualquer utilidade. Para mim, só funcionava o que acontecia nas sessões, que duravam entre uma hora e uma hora e meia.

Às vezes tínhamos, como tarefa de casa, não pensar no outro. Eu, como o culpava de todo o mal que acontecera, não conseguia.


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