Tony Carreira: “Eu já tinha mais de trinta anos quando resolvi dar o primeiro beijo ao meu pai.”

por , 9 Maio, 2018

Chama-se O Homem que Sou (editado pela contraponto) e é o livro de memórias que Tony Carreira decidiu lançar na altura em que assinala 30 anos de percurso na música. Chega às livrarias a 18 de maio e promete ser o livro do ano.

Contava os meses até à chegada das férias de verão. A impaciência não era tanto pelo fim das aulas, mas sim porque agosto representava o regresso dos pais que estavam emigrados. Eu gostava de rever os meus pais, embora o afeto e as saudades não se traduzissem em beijos ou abraços. O meu pai nem sequer vinha com espírito de férias. Havia sempre trabalhos a fazer, como cortar as silvas dos terrenos ou fazer pequenos arranjos nas casas. Era evidente o distanciamento entre nós, provocado pela falta de convivência, mas eu não me importava. O meu pai era assim: um chefe de família à moda antiga. O importante para ele era que os filhos tivessem comida na mesa. Nem que ele tivesse de ir trabalhar para longe deles. Talvez seja uma injustiça da vida, mas em adulto acabei por me tornar mais ligado ao meu pai do que à minha mãe. Tive sempre um grande respeito pelos dois. Nunca os tratei por tu, mas, com o tempo, passei a conseguir brincar com o meu pai. Metia-me com aquela imagem de macho à moda antiga. Mas com as devidas distâncias. Quando chegávamos perto um do outro, cumprimentávamo-nos com palavras. Mais nada. Eu já tinha mais de trinta anos quando resolvi dar o primeiro beijo ao meu pai.

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