Vamos falar sobre ansiedade

por , 15 Janeiro, 2019

O assunto é sério. Estudos apontam para o facto de Portugal ser dos países com maiores taxas de ansiedade. Miriam Andrade e Tiago Paiva são dois jovens que fazem parte dessa estatística. Saiba como lidam com os ataques de pânico e conheça o caminho que têm feito.

POR XAVIER PEREIRA | FOTOGRAFIA JOÃO PAULO | MAQUILHAGEM E CABELOS TATIANA CRUZ | AGRADECIMENTO LAS KASAS

O coração bate mais depressa, custa respirar, os membros ficam dormentes e os intestinos desregulados. Podem ocorrer tonturas, náuseas, vómitos e dores de cabeça e no resto do corpo. Em situações-limite, verificam-se desmaios. Os sintomas são vários e se há quem tenha sentido todos ao mesmo tempo, muitos não se queixam de metade. Na verdade, cada sintoma pode levar ao mesmo diagnóstico: ansiedade.

Segundo um estudo da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, Portugal regista elevadas taxas desta perturbação. A investigação indica, mais concretamente, que 16,5% dos portugueses sofrem de ansiedade. Desse grupo faz parte Miriam Andrade, licenciada em Comunicação Social e Cultural.

“Desde miúda sempre fui muito nervosa. Sentia aquela ânsia de fazer tudo bem. Aos 17 anos de idade, durante o Secundário, piorou. Comecei a ter ataques de pânico com picos depressivos”, conta a jovem, hoje com 25 anos de idade. “Lembro-me de achar que eram sintomas de um ataque de coração”. Até médicos consideraram tratar-se, de facto, de uma qualquer complicação cardíaca, mas não era o caso.

Miriam acrescenta: “Consultei imensos médicos e nenhum punha essa hipótese [tratar-se de ansiedade]. Na altura, não se ouvia falar muito disso”. O mesmo não se passa hoje. Segundo o Dr. Diogo Telles Correia: “Vivemos num mundo acelerado, estamos continuamente a ser estimulados por informação vinda das redes sociais, da Internet, na maioria, desnecessária. Esta contínua estimulação cria um homem acelerado, que não pára. Um homem com tendência para a ansiedade”, explica o médico psiquiatra e professor universitário. O especialista, autor de vários trabalhos sobre o tema, incluindo o livro A Ansiedade nos Nossos Dias, refere o facto de a ansiedade ser uma reação natural do ser humano, “útil para se adaptar e reagir a situações de medo ou expectativa”. No entanto, pode passar a ser uma perturbação mental, “quando atinge um valor extremo e provoca mal-estar claro”, com repercussões ao nível social, profissional ou ocupacional. Foi o que aconteceu ao ator e comediante Tiago Paiva.

 


Leia o artigo completo na revista CRISTINA já nas bancas
ou na app CRISTINA M.

  • Comentários

    Artigos relacionados