Winnie Mandela: a mãe da nação

por , 2 Abril, 2018

Foi uma das maiores activistas na luta contra o apartheid, defensora da liberdade. Winnie Mandela, ex-mulher de Nelson Mandela, morreu hoje aos 81 anos.

Winnie Madikizela-Mandela nasceu em 1936, em Bizana, na Província do Cabo Oriental. Mudou-se para Joanesburgo onde estudou com o intuito de se tornar assistente social, tendo  trabalhado no Serviço Social hospitalar. O contacto que teve com a pobreza e as desigualdades sociais tornaram-na uma activista desde muito cedo. 

Foi em 1957 que conheceu o advogado e activista Nelson Mandela. Conhece-o numa paragem de autocarro. O relacionamento, ainda que atribulado, levou ao casamento um ano mais tarde. O casal dedicou grande parte do tempo à causa que os movia: acabar com o domínio branco na África do Sul.

Nelson Mandela foi detido e condenado a prisão perpétua, seis anos depois da comunhão. Tendo sido uma das primeiras pessoas detidas por terrorismo, esteve 18 meses em solitária na Prisão Central de Pretória. Libertado em 1990, esteve 27 anos encarcerado.

Durante o período de prisão do marido, Madikizela-Mandela dedicou-se profundamente ao partido ANC e aos direitos dos negros sul africanos. A postura revolucionária que adoptou nestes anos gerou alguma controvérsia. Enquanto uns lhe chamavam a “mãe da nação” da nova África do Sul, outros apelidavam-na de “assaltante” , desgostosos com a sua veia radicalista. Em 1991, foi considerada culpada no rapto e assassínio do jovem de 14 anos, Stompie Seipei, levado a cabo pelos seus seguranças. Foi condenada a seis anos de prisão, porém a sentença foi reduzida a uma multas e dois anos de prisão suspensa.

Logo depois de Nelson Mandela sair da prisão, o casamento começou a falhar. A postura de ambos começou a divergir. Enquanto o futuro Presidente se afastava do radicalismo e envergava pelo caminho da conciliação, Winnie mantinha uma postura irredutível. Foi em 1997, três anos depois de Mandela ser eleito Presidente, que o casamento chegou ao fim.

Winnie Mandela nunca mostrou remorsos pelos raptos e assassínios, nem mesmo na Comissão da Verdade e Conciliação que pretendia reconstituir as atrocidades de ambos os lados, durante os anos de apartheid.

Logo depois da morte do ex-marido, em 2013, afirmou em entrevista: “Não estou arrependida. Nunca me arrependerei. Faria tudo o que fiz de novo, se tivesse de ser. Tudo”.

Ainda que o seu papel de heroína contra o apartheid tenha sido dissolvido em controvérsia, Winnie Mandela é uma figura incontornável na defesa dos direitos e da igualdade no mundo.

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